quarta-feira, 1 de julho de 2009

A Ação do Pensamento


“Pensar é criar. A realidade dessa criação pode não exteriorizar-se, de súbito, no campo dos efeitos transitórios, mas o objeto formado pelo poder mental vive no mundo intimo, exigindo cuidados especiais para o esforço de continuidade ou extinção.”

(Pão Nosso, Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, capítulo 15.)


Obsessão e desobsessão: escravização e libertação do pensamen­to. Ensinamento extraordinário que a Doutrina Espírita lega à Hu­manidade.

Escravização que está sendo analisada neste livro e que nos demonstra: a que ponto de subjugação pode chegar o ser humano, ator­mentado por outro ser humano, em gradações que vão desde a obsessão sutil até a possessão e o vampirismo; o ser humano autoflagelando-se mentalmente, até atingir a auto-obsessão, que, como vimos, abre campo para sintonias infe­riores; o ser humano assolado pelo remorso, pela descrença ou egoísmo, enclausurando-se no pensamento viciado, cujo centro é ele próprio, num processo de autodestruição que o levará, após a desen­carnação, persistindo o circuito mental viciado, a transubstanciar-se num ovóide.

Libertação — meta principal de todos nós. Escopo final do ho­mem, que aspira a ser livre para sempre. E nesse ideal de liberdade julga erradamente que irá encontrá-la em aventuras arriscadas e dispendiosas, sondando o cosmos, lançando-se ao espaço, na ânsia de conquistar o infinito.

Não descobriu até hoje que o infinito está muito perto. Que o Infinito é ele mesmo: o ser imortal e eterno, cujas potencialidades maravilhosas jazem adormecidas e inexploradas, formando um mi­crouniverso quase totalmente desconhecido.

Há um universo em cada um de nós, aguardando ser descoberto e guardando riquezas cósmicas que um dia nos tornarão “deuses”.

Na obra “Libertação” encontramos estas afirmativas que pela sua importância merecem ser mencionadas:

“(. ..) o espírito humano lida com a razão há, precisamente, quarenta mil anos (23)

“(...) Há milhões de almas humanas que se não afastaram, ainda, da Crosta Terrestre, há mais de dez mil anos. Morrem no corpo denso e renascem nele, qual acontece às árvores que brotam sempre, profundamente arraigadas no solo. Recapitulam, individual e coleti­vamente, liçoes multimilenárias, sem atinarem com os dons celestiais de que são herdeiras, afastadas deliberadamente do santuário de si mesmas, no terreno movediço da egolatria inconseqüente, agitando-se, de quando em quando, em guerras arrasadoras que atingem os dois planos, no impulso mal dirigido de libertação, através de crises ino­mináveis de fúria e sofrimento.” (Grifos nossos.) (24)

Milhares de anos em que utilizamos o nosso pensamento para o mal, para a destruição. Milênios de dor e sofrimento. Séculos de experiências dolorosas. Nossa colheita tem sido de pranto, para que nas fontes do sentimento dilacerado pudéssemos mudar o rumo do pensamento envolvido no mal, preso ao jugo dos instintos inferiores.

Pensamentos viciados. Mente subjugada à escravidão das paixões. Caminhos que escolhemos por vontade própria. Deixamos passar as oportunidades de modificar o nosso clima mental e nos comprome­temos cada vez mais com a retaguarda de sombras, que hoje nos está cobrando pesado ônus.

Profundamente habituados a orientar erroneamente a direção do nosso pensamento, eis que surge o Espiritismo, como bênção de acréscimo da Misericórdia Divina, para nos libertar. A Doutrina Espírita veio desvendar o processo de nossa libertação E demonstrar que a liberdade tem que ser conquistada com o empenho de todas as nossas energias e com o selo de nossa responsabilidade.

Liberdade e responsabilidade. Para merecermos a primeira temos que assumir a segunda.

Dos tormentosos processos obsessivos, o homem só se liberará quando entender o quanto é responsável pelo próprio tormento e pelos que infligiu aos que hoje lhe batem às portas do coração, roubando a paz que julgava merecer.

Os Benfeitores Espirituais têm trazido ensinamentos renovados sobre a importância de nossa atitude mental. Julgamos, entretanto, que mesmo nós, os espíritas, ainda não conseguimos avaliar o que representa o pensamento em nossa romagem de Espíritos imortais, encarnados ou não. A verdade é que refletimos pouco a esse respeito. Não damos o devido valor à necessidade de selecionar as ondas mentais que emitimos e as que captamos. E nisto reside todo o se­gredo, se assim podemos dizer, da existência humana.

Na qualidade do pensamento que emitimos, que cultivamos e que recebemos dos outros, aceitando-os ou não, está o ‘mistério” da saúde ou da doença, da paz ou do desequilíbrio

É sabido que o pensamento é mensurável. Que é uma força eletromagnética, conforme ensina Emmanuel. Mas, estando cientes disto tudo, ainda assim não damos a devida importância à ação do pensamento.

Ao conquistar o raciocínio, o homem adquiriu a consciência, a faculdade de estabelecer padrões morais Ao tornar-se espírita, o ser humano teve a sua consciência clarificada pelos ensinamentos da Terceira Revelação, o que a torna plenamente lúcida, capaz de discernir com profundidade, de enxergar além dos limites físicos. vislumbrando o seu passado e antevendo o seu futuro. Jamais teve o homem tal clareza de raciocínio. Jamais a sua consciência se apre­sentou tão viva e atuante. Mesmo não tendo cultura vasta, mesmo não sendo letrado, porque o discernimento independe de cursos. A consciência do espírita acorda no homem a responsabilidade.

Diante disto tudo, é muito importante direcionar o nosso pen­samento. Não podemos permanecer indiferentes ante essa força que existe em nós, que expressa a nossa própria essência.

Somos responsáveis pela qualidade dos nossos pensamentos. Não nos basta frenar atitudes menos dignas e permitir que nas asas do pensamento elas se realizem. Não nos é suficiente disciplinar o nosso comportamento e trazer no intimo o pensamento conturbado, an­siando pelas realizações que a consciência censurou.

Cabe-nos disciplinar as emoções e os pensamentos que defluem delas. Mas essa disciplina deve ser fruto da compreensão. Da certeza do que é realmente melhor. É preciso querer gostar de atuar no bem e conseqüentemente de pensar no bem e pensar bem.

Essa é uma laboriosa conquista. É filha da reflexão, do amadu­recimento interior. É filha da necessidade que todos temos de ser bons. E ser bom é ter amor, O amor é a necessidade primeira do ser humano, é o seu alimento, o ar que respira, a vida que estua dentro dele. Por isto sofremos tanto quando nos afastamos do amor. Estamos assim negando ao nosso Criador, que nos criou no Seu Divino Amor, e negando a nós mesmos.

O nosso pensamento estagiou por milénios em faixas primitivas. Aos poucos, fomos vagarosamente imprimindo-lhe nova direção. Os sucessivos aprendizados enriqueceram a nossa mente com experiên­cias diversas e a nossa emissão mental se aprimorou. Mesmo assim, demoramos a entender que o controle de nosso pensamento é de nossa exclusiva responsabilidade. E essa nova compreensão é deci­siva em nosso destino.

De acordo com o que pensamos serão as nossas companhias espirituais e, parodiando a sentença popular diremos: “Dize-me o que pensas e te direi com quem andas. .

Esse é o notável ensinamento que a Doutrina Espírita nos apresenta.

Pelo pensamento desceremos aos abismos ou chegaremos às es­trelas. Pelo pensamento nós nos tornamos escravos ou nos libertamos.

A obsessão é, pois, o pensamento a transitar e a sintonizar nas faixas inferiores.

Desobsessão, ao invés, é a mudança de direção do pensamento para rumos nobres e construtivos. É a mudança do padrão vibratório, sob o influxo da mente, que optou pela freqüência mais elevada.

Essa mudança é uma questão de escolha. De seleção.

E só se chega a tal estado, a uma transformação dessa espécie, acionando-se uma das maiores potencialidades que existe no ser hu­mano: a Vontade.

(23) Libertação, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, capítulo 1º, 8ª edição FEB.

(24) Id. ib, capítulo II.


Site: Luz do Espiritismo - Grupo Espírita Allan Kardec

Livro: OBSESSÃO E DESOBSESSÃO

Autor: SUELY CALDAS SCHUBERT

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