sábado, 11 de julho de 2009

A Divindade de Jesus


Tentaremos, com este estudo, mostrar que esta questão é importante para nós os Cristãos.

Se tivermos a Jesus como o próprio Deus, é-nos difícil seguir seus ensinos, exemplificados em suas ações, pois tudo o que fez não servirá para nós como modelo de como fazer ou agir, visto ter partido de um ser que tudo pode, seria algo inatingível para nós os mortais. Por outro lado, com o conhecimento que vamos adquirindo através de estudos, vemos, como iremos demonstrar, uma perfeita consonância com os missionários divinos de religiões não cristãs, e com isto a crença em nossa religião fica bem abalada. E se, ao contrário, o colocarmos na condição de homem, ficaria muito mais fácil seguir seus exemplos, pois, de igual para igual, encontraremos forças para aplicar os seus ensinos.

Mas afinal, quando Jesus foi considerado Deus? Desde o início do cristianismo? O que pensavam seus discípulos sobre o assunto? O que o povo e Ele mesmo pensavam?

Para respondermos essas perguntas, primeiramente iremos recorrer ao Evangelho.

a) O que o povo pensava

Mt 16,13-14: "Tendo chegado à região de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou aos discípulos: ‘Quem dizem por ai as pessoas que é o filho do homem?’ Responderam: ‘Umas dizem que é João Batista, outras que é Elias, outras enfim, que é Jeremias ou algum dos profetas’".

Mt 26,67-68: "Então, cuspiram no seu rosto e cobriram-no de socos. Outros lhe davam bordoadas. E lhe diziam: ‘Mostra que és profeta, ó Cristo, advinha quem foi que te bateu?’"

Jo 7,40: "Muitos daquela gente que tinham ouvido essas palavras de Jesus afirmavam: ‘Verdadeiramente ele é o profeta’".

Jo 9,17: "Perguntaram ainda ao cego: ‘Qual é a tua opinião a respeito de quem te abriu os olhos?’ Respondeu: ‘É um profeta’".

b) O que os discípulos pensavam

Lc 24,19 "... Jesus de Nazaré foi um profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e do povo".

At 2,22: "Homens de Israel, escutai o que digo: ‘Jesus de Nazaré foi o homem credenciado por Deus junto a nós com poderes extraordinários, milagres e prodígios. Bem sabeis as coisas que Deus realizou através dele no meio de vós’".

c) O que dizia Jesus

Lc 13,33: "Entretanto devo continuar meu caminho hoje, amanhã e no dia seguinte, porque não convém que um profeta morra fora de Jerusalém".

Jo 8,40: "... Procurais tirar-me a vida a mim que sou homem, que vos digo a verdade que de Deus ouvi". ...

Mc 6,4-5: "Mas Jesus lhes dizia: ‘Um profeta só deixa de ser honrado em sua pátria, em sua casa e entre seus parentes. E não podia ali fazer milagre algum’". (Argumento que utilizou para justificar por que Ele não conseguia fazer milagres em Nazaré).

Observamos, assim, que o povo e os seus discípulos acreditavam que Jesus era um profeta, o que foi confirmado pelo próprio Jesus.

Na passagem de Jo 14,12-13, ele diz: "Eu vos afirmo e esta é a verdade: quem crê em mim fará as obras que eu faço. E fará até maiores, porque vou ao Pai, e o que pedirdes ao Pai em meu nome eu farei, para que o Pai seja glorificado no filho".

Se seguirmos a linha de raciocínio que Ele seja Deus, nós também seríamos deuses, pois segundo suas próprias palavras, poderíamos fazer o que ele fez e até mais. Vemos que não há como considerá-lo Deus.

A base central desta linha de pensamento de que Ele era Deus, basicamente vamos encontrá-la em Jo 10,30: "Eu e o Pai somos um". Com isto chegaram à conclusão de que se o Pai é Deus e Jesus sendo um com o Pai, por conseguinte também seria Deus. Conclusão, digamos apressada é o dogma da Santíssima Trindade. Mas somos levados a crer, que esta trindade é incoerente, pois não pegaram o sentido da frase, apegaram-se à letra. Mas por que não tiveram a mesma linha de pensamento nesta outra passagem de João (17,20-23)? - "Não rogo somente por eles, mas também por todos aqueles que hão de crer em mim pela sua palavra. Que todos sejam um! Meu pai, que eles estejam em nós, assim como tu estás em mim e eu em ti. Que sejam um, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que tu me deste, para que sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitamente unidos, e o mundo conheça que tu me enviaste e que os amaste como tu me amaste". Não seria o caso de dizer então que os discípulos eram deuses?

Em outras passagens, Jesus se coloca na condição de subordinado a Deus, prestando-lhe obediência e cumprindo-lhe a vontade. Não há como negar que quem é subordinado está sob ordens de alguém que lhe é superior, vejamos:

Jo 4,34: "Jesus afirmou: ‘Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou a levar a cabo a sua obra’".

Jo 5,19: "... Eu vos afirmo e esta é a verdade: o Filho nada pode fazer por si mesmo, a não ser o que vê o Pai fazer".

Jo 5,30: "Não posso fazer nada por mim mesmo. Julgo segundo o que ouço; e o meu julgamento é justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou".

Jo 6,37-38: "Tudo o que o Pai me dá, virá a mim e não jogarei fora o que vem a mim, porque desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou".

Jo 14,28: "Se me amásseis, vos alegraríeis de que eu vá ao Pai, porque o Pai é maior do que eu".

Nessa última passagem, é bem taxativa a superioridade do Pai sobre Jesus. Não há como contestar.

A questão da divindade de Jesus, rejeitada por três concílios, dos quais o mais importante foi o de Antioquia (269) foi, em 325, proclamado pelo de Nicéia. Após a declaração de que Jesus era Deus, vem para encaixá-lo nada mais foi que uma cópia da base fundamental de outras religiões, bem mais antigas que o Cristianismo. Podemos citar as que constam do Livro O Redentor de Edgard Armond:

Brahma, Siva e Vischnu – dos hindus

Osíris, Isis e Orus – dos egípcios

Ea, Istar e Tamus – dos babilônios

Zeus, Demétrio e Dionísio – dos gregos

Orzmud, Arimam e Mitra – dos persas

Voltan, Friga e Dinas – dos celtas

Achamos muito interessante o estudo do Dr. Paul Gibier (O Espiritismo –o faquirismo ocidental) em que ele coloca: "Uma das analogias mais notáveis do Catolicismo, não com o Budismo, mas com Bramanismo, encontra-se em uma das encarnações de Vischnu (filho de Deus) sob a forma de Krischna".

"Krischna, que alguns autores escreviam Christna ou Kristna, foi concebido ‘sem pecado’, seu nascimento foi anunciado por profecias numerosas e muito antigas. Sua mãe Devanaguy, o concebeu por obra de um Espírito, que lhe apareceu sob os traços de Vischnu, segunda pessoa da Trindade Hindu. Segundo a tradição Hindu e o ‘Bhagavedagita’, anunciando uma profecia que ele destronaria seu tio, o tirano de Madura, este último mandou encarcerar sua sobrinha Devanaguy, que foi libertada por Vischnu; então o tirano mandou assassinar em todos os seus estados as crianças do sexo masculino nascidas na mesma noite em que Krischna viu a luz (grifo do original). Mas o menino foi salvo por milagre, e, 3500 anos mais ou menos antes de nossa era, ele pregava a sua doutrina. Depois de converter os homens, morreu de morte violenta as margens do Ganges, segundo ordens de Brahma (Deus, o Pai), para realizar a redenção dos homens, como lhes fora prometido".

Parece que tudo se encaixa na tradição cristã a respeito de Jesus, talvez até fosse necessário, considerando a cultura da época, torná-lo um Deus, para que as pessoas pudessem acreditar em seus ensinos, entretanto, achamos, que para os dias de hoje isto poderá causar mais incrédulos, por uma coisa bem simples é que o homem moderno coloca a razão e a lógica como base para acreditar ou não em algo, e agindo assim também em relação à crença religiosa, terá uma fé inabalável.

Com relação a Jesus, poderemos afirmar com absoluta certeza que Ele era um ser superior a nós humanos, sem, entretanto, chegar a ser um Deus, principalmente pelos seus ensinos e exemplos de vida, virtudes essas que serão o nosso passaporte para o "Reino dos Céus", pois somente através Dele é que chegaremos ao Pai, conforme suas palavras: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão através de mim" (João 14,6).

3.12 - Ressurreição

No dia 18.04.96 o jornal Estado de Minas, publicou na página 17 a coluna "Um dia no Mundo", o seguinte texto:

RESSURREIÇÃO

A britânica Maureen Jones, 59 anos, foi oficialmente declarada morta por um médico depois de sofrer um ataque de diabetes. Momentos depois, cumprindo função de rotina, policiais examinaram o corpo e, mexendo em suas pernas, a ressuscitaram. Este foi o segundo caso deste tipo neste ano na Grã-Bretanha. Em janeiro, a mulher de um fazendeiro, Daphne Banks, 61 anos, foi encontrada viva dentro de um necrotério, na região central do país, depois que um médico a declarou morta. Mais tarde, Daphne disse que estava tentando se matar.

Este texto levou-me a pensar. Realmente acontece a ressurreição, onde a alma da pessoa que morreu voltaria a reviver no mesmo corpo? Ou estas mortes aparentes ainda não estavam no domínio da ciência? O que as religiões dizem a respeito.

Pela maioria das correntes religiosas tradicionais, todos nós ressuscitaremos um dia em nosso corpo físico, e após isto, seremos julgados, sendo o céu ou o inferno o nosso destino, conforme tenhamos praticado o bem ou o mal. Nelas a crença é da unicidade da existência humana, ou seja, nós só temos esta uma única vida em contrapartida com a reencarnação, ou várias vidas sucessivas, afirmada pela Doutrina Espírita.

Perguntaríamos: seria possível o corpo físico ser recomposto, para receber novamente o espírito que o animava? Entretanto, a Ciência vem nos dizer que o nosso corpo físico é composto de entre outros, dos seguintes elementos: oxigênio, hidrogênio, azoto e carbono, e que após a sua decomposição, estes elementos se dispersam para servirem de formação a novas matérias, sendo cientificamente impossível sua recomposição. Bem sabemos que a ciência é o conhecimento humano que busca descobrir as leis que regulam tudo no Universo, sendo, por conseguinte, estas leis, leis naturais ou Leis Divinas.

O apóstolo Paulo não possuía nenhuma dúvida sobre o assunto, porque teve a percepção clara de que não é o corpo físico que retorna à vida, vejamos em 1Cor 15,35-44: "Mas, dirá alguém, como é que os mortos vão ressuscitar? Com que corpo virão? Louco! O que semeias não reviverá, se não morrer antes. E o que semeias não é o corpo a se formar, mas grão nu, de trigo, por exemplo, ou de qualquer planta. E Deus lhe dá um corpo que bem entende, e a cada semente, o seu corpo apropriado. Toda a carne não é a mesma carne, mas uma é a carne dos homens, outra a carne das feras, outra, a carne das aves, outra, a dos peixes. Há corpos celestes e corpos terrestres; mas um é o esplendor dos corpos celestes e outro o dos terrestres. Um é o brilho do Sol e outro o brilho das estrelas. E uma estrela brilha diferente de outra estrela. Assim também na ressurreição dos mortos: semeado na podridão, o corpo ressuscita incorruptível. Semeado na humilhação, ele ressuscita glorioso. Semeado frágil, ressuscita forte. E semeando um corpo animal, ressuscita um corpo espiritual. Como há um corpo animal, há também um corpo espiritual".

Não faz ele a nítida distinção entre os dois corpos que possuímos, um o corpo físico e outro o corpo espiritual, sendo que é com este último que iremos ressuscitar no mundo espiritual ao qual retornaremos após a morte? Tão certo Paulo estava disto, que ele ainda afirma: "... A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus" (1Cor 15,50).

Existe no Evangelho passagem narrando fatos em que presumivelmente houve ressurreição, são em número de três: a da filha de Jairo (Mt 9,18-26; Mc 5,21-43 e Lc 8,40-56), a do filho da viúva de Naim (Lc 7,11-17) e a de Lázaro (Jo 11,1-44).

No primeiro caso, as narrativas são unânimes em afirmar que Jesus tinha dito que a menina não havia morrido, apenas dormia. No segundo, não se fala nada. E no terceiro, afirma que a doença de Lázaro não era para a morte, que ele dormia e iria despertá-lo, para no final dizer que ele havia morrido, contradizendo o que havia dito anteriormente.

Ao que tudo indica, todos esses casos poderiam ser de pessoas que sofriam de ataques catalépticos, que dão toda a aparência de morte, não seriam, portanto uma verdadeira ressurreição. Parecem com os casos citados no jornal, não? E isto hoje, com todo o avanço da medicina, onde é bem mais fácil detectar estes casos de morte aparente! Imaginem ao tempo de Jesus?

Mas à época de Jesus havia a crença de que uma pessoa poderia voltar. Só não era explicado como isto poderia ocorrer, senão vejamos: "Tendo chegado à região de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou aos discípulos: ‘Quem dizem por aí as pessoas que é o filho do homem?’ Responderam: ‘Umas dizem que é João Batista; outras, que é Elias, outras enfim, que é Jeremias ou algum dos profetas’ (Mt 16,13-14). E nesta outra: "Os discípulos lhe perguntaram: ‘por que dizem os escribas que Elias deve vir antes?’ Respondeu-lhes: ‘Elias há de vir para restabelecer todas as coisas. Mas eu vos digo que Elias já veio e não o reconheceram, mas fizeram com ele o que quiseram. Do mesmo modo, também o Filho do homem está para sofrer da parte deles’. Então, os discípulos compreenderam que Jesus lhes tinha falado a respeito de João Batista" (Mt 17,10-13).

Nessas passagens fica claro que de uma maneira geral todos acreditavam que uma pessoa que havia morrido poderia voltar até mesmo num outro corpo, certo?

Interessante a conclusão a que chegamos, ao analisarmos tudo o que Jesus produziu de "milagre", o que resumimos abaixo:

"Milagres"

Quantidade

Percentual



1- Fenômenos com ele e com a natureza

11 casos

28,9%



2- Curas diversas

16 casos

42,1%



3- Exorcismo

08 casos

21,1%



4- Ressurreição

03 casos

7,9%



Total

38 casos

100%



Isso foi colocado, para que possamos raciocinar. Se realmente a ressurreição fosse algo possível, por que Jesus a produziu em pequeno número em relação a tudo o que fez? Por outro lado, algo de tão extraordinário, como fazer voltar à vida os nossos mortos, não seria óbvio que Jesus sofreria um assédio descomunal das mães pedindo-Lhe que fizesse o mesmo com seus filhos que haviam morrido? Mas não consta nos Evangelhos que Ele tenha passado por semelhante situação.

Podemos concluir que Jesus curou estas pessoas talvez portadoras de catalepsia, não ressuscitando ninguém que já havia de fato morrido, e o que se acreditava, em sua época, era que uma pessoa que já havia morrido poderia voltar a viver como outra pessoa, que é o que hoje entendemos por REENCARNAÇÃO.

4 - Conclusão

Procuramos mostrar alguns conceitos doutrinários do Espiritismo, para os que são leigos no assunto, e, principalmente, para provar que eles não contrariam em nada o que Jesus ensinou.

Vemos é justamente o contrário, ou seja, que a Doutrina Espírita procura desenvolvê-los de tal forma, que todos possam compreendê-los. Colaboramos para que a percepção da Bíblia seja racional. Temos o Antigo Testamento como um importante código moral, mas circunscrito somente à própria época em que foi utilmente aplicado. Somos conscientes de que devemos seguir somente o Novo Testamento, base fundamental dos ensinamentos de Jesus, pois, só assim, poderemos dizer-nos cristãos.

(texto extraído do livro "A Bíblia à Moda da Casa", Paulo Neto, Salvador-BA: Rede visão, 2002.)

Referências bibliográficas:

Novo Testamento, LEB – Edições Loyola, São Paulo, SP, 1984;

O Espiritismo (o faquirismo ocidental), Dr. Paul Gibier, FEB, Brasília, DF, 4ª Edição, 1990;

O Cristianismo: a mensagem esquecida, Hermínio C. Miranda, Matão, SP, Casa Editora O Clarim, 1ª Edição, 1988; Cristianismo e Espiritismo, Léon Denis. Brasília – DF, FEB, 8ª Edição;

O Redentor, Edgard Armond. São Paulo, SP, Editora Aliança, 6ª Edição;

Quando Chega a Verdade, José Reis Chaves, Martin Claret, São Paulo, 1a. Edição, 2001.

Site: Luz do Espiritismo - Grupo Espírita Allan Kardec

Nenhum comentário: