sábado, 10 de outubro de 2009

Aceitação


Tenhamos em mente que não somos o que os outros pensam e, muitas vezes, nem mesmo o que pensamos ser, mas somos, verdadeiramente, o que sentimos. Aliás, os sentimentos revelam nosso desempenho no passado, nossa atuação no presente e nossa potencialidade no futuro.

Auto-aceitação é um dos desafios que recebemos na vida. Ou vivemos como pessoas libertas do jugo alheio, ou aceitamos ser manipulados e viver afastados ou separados daquilo que sentimos e pensamos.

Quando aceitamos a nós mesmos, eliminamos as amarras de doentia dependência que nos vinculam aos outros, cujos costumes, crenças e valores não são os nossos. E reconhecemos que podemos viver e nos relacionar respeitando o modo de ser deles, da mesma forma que devemos respeitar a nossa individualidade e liberdade de pensamento, sem nenhum receio de discriminação ou isolamento.

Uma das maiores preocupações de certas pessoas é o que os outros poderão pensar a respeito delas. Fixam seu estado de ânimo na volubilidade das atitudes alheias, ou seja, nas opiniões ou ponto de vistas instáveis da coletividade.

O valor e a importância que essas criaturas atribuem a si próprias oscilam de conformidade com o juízo mutável e vacilante das massas, visto que elas se estruturam sobre um padrão de personalidade ciclotímico – caracterizado por períodos de alegria exagerada e hiperatividade intercalados com outros momentos de depressão, angústia e inércia.

Quanto mais nos preocupamos com a impressão que causamos nos outros, menos descobriremos quem realmente somos. A propósito, o ardor do empenho que fazemos para ser valorizados é proporcional à desvalorização que sentimos por nós.

O que as pessoas pensam de nós é um problemas delas; não podemos nos ver tal como os outros nos vêem, pois isso nos levará a viver alienados, ignorando os fatores psicológicos ou sentimentos e emoções que nos fazem agir perante a vida de conformidade com nossos impulsos internos.

Querer parecer impecável diante dos outros é tarefa desgastante e desnecessária. Por mais que nos consumamos energeticamente no esforço de agradá-los, nunca faremos o suficiente para que eles nos vejam melhores ou piores do que realmente somos.

A esfera intelectual explica aquilo que sentimos, todavia ela pode racionalizar os sentimentos, criar álibis e disfarces que nos afastem d nossa vida interior. Tenhamos em mente que não somos o que os outros pensam e, muitas vezes, nem mesmos o que pensamos ser; mas somos, verdadeiramente, o que sentimos. Aliás, os sentimentos revelam nosso desempenho no passado, nossa atuação no presente e nossa potencialidade no futuro.

Os bons dicionaristas definem reputação como conceito de que goza uma pessoa em seu grupo social. Reputar (do latim reputare) significa computar, contar, achar, julgar, considerar. Ou mesmo, avaliar e ter em conta o “bom nome” de alguém, ou julgar as pessoas como “certas” ou “erradas”.

Devemos dar mais importância e atenção à nossa consciência do que à nossa reputação. A consciência está ligada à soberania da Vida Superior, enquanto a reputação é condicionada ao caráter instável e temperamento vacilante dos seres humanos.

Milhões de criaturas crêem em coisas bem diferentes, porque ensinamentos diversos lhes foram transmitidos quando crianças. Coisas dessemelhantes foram ensinadas a crianças budistas, cristãs, xintoístas, muçulmanas e hinduístas. Se essas mesmas crianças forem chinesas, francesas, indianas, russas ou vietnamitas, cada uma delas crescerá com a firme convicção racial religiosa de que estão certas e as outras erradas. Ainda entre as mesmas religiões, há pontos de vistas divergentes sobre tratados teológicos ou doutrinários e, portanto, há dissensões.

A reputação está vinculada à “moral social”, às regras, valores, raça, tradição e costumes de uma era, época ou povo, enquanto a consciência está interligada às leis eternas e naturais de todos os tempos.

Quando as pessoas nos disserem alguma coisa sobre algo ou alguém, deveremos pensar de nós para nós mesmos: Será isso verdade para quem? Que tipo de prova existe? Há elementos mais claros e específicos para estimar este fato? Qual a base referencial que devo adotar para fazer essa avaliação? Será que as pessoas envolvidas crêem apenas por força da religião, tradição autoritarismo ou revelação mística? Há elementos mais objetivos para apreciar essa atitude?

“O Espírito que animou o corpo de um homem, em nova existência, pode animar o de uma mulher, e vice-versa (...)”, pois na verdade, “(...) são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres” ¹.

Cada individualidade traz consigo uma experiência única e particular na área sexual e, portanto, uma estrutura psicológica também específica, com particularidades masculinas e femininas. Em determinadas situações evolutivas, encarnamos como homem; em outras como mulher. Em vista disso, a alma atravessa imensos estágios de aprendizagem e desenvolvimento evolutivo na noite dos tempos, constituindo em sua intimidade o fenômeno da bissexualidade. Dessa maneira, homens, mulheres nada mais são do que Espíritos imortais usando temporariamente uma vestimenta masculina ou feminina.

Ao julgarmos algo ou alguém, quase sempre emitimos pareceres ilusórios, não fundamentados em bases, razões e motivos sólidos. Pronunciamos uma centena prematura de condenação ou de absolvição, sem conhecimento prévio de tudo o que vem ocorrendo na intimidade humana.

Não nos damos conta de que um julgamento arbitrário é o ”declínio do entendimento”, da empatia, da complacência e da aceitação para com a nossa “diversidade existencial”, bem como a das outras pessoas. O julgamento é o “naufrágio da compreensão”.

Ao alterarmos a nossa “visão efêmera” para uma “visão de eternidade”, mudamos a “concepção de mundo” cartesiano e simplista em que vivemos, alterando assim as conclusões equivocadas a respeito das pessoas e da vida. O normal, o anormal, o moral, o imoral, o natural e o não natural são relativos, mesmo quando se trata da configuração ou da aparência externa da matéria.

Jesus de Nazaré, numa atitude incomum em seu tempo, demonstrava apreço e respeito aos excluídos e discriminados, oferecendo igual atenção às diferenças de classes sociais e sexuais; aos ladrões, às prostitutas, aos adúlteros, aos cobradores de impostos. Não fazia acepção ou escolha em favor de pessoas por sua classe social, título, sexo, nacionalidade.

O Mestre deixou claro que, para Deus, não havia eleitos – o reino dos céus era uma conquista comum a todos aqueles que cultivassem o amor a Deus, ao próximo e a si mesmo. Essa convicção é que levou Paulo de Tarso a firmar aos cristãos da igreja da Galácia: “Deus não faz acepção de pessoas” ².


¹ Questão 201 do Livro dos Espíritos

O Espírito que animou o corpo de um homem, em nova existência, pode animar o de uma mulher, e vice–versa?

“Sim, são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres.”

² Gálatas, 2:6.


Pelo Espírito Hammed
Médium Francisco do Espírito Santo Neto

Livro: Os Prazeres da Alma

Site: Luz do Espiritismo - Grupo Espirita Allan Kardec

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