terça-feira, 4 de maio de 2010

Médiuns Imperfeitos

Causam estranheza, não poucas vezes, as comunicações mediúnicas procedentes dos espíritos nobres através de pessoas insensatas ou portadoras de conduta irregular.

O normal, que prevalece nesta como em qualquer outra atividade, é a vigência da lei das afinidades mediante a qual é mais fácil aqueles que são simpáticos entre si se mancomunarem e intercambiarem do que a ocorrência de fenômenos opostos.

Certamente, a predominância da ordem e do equilíbrio em todos os quadrantes da natureza constitui a base da harmonia.

No que tange aos valores ético-morais, o mecanismo é idêntico. Todavia, com objetivos elevados, as entidades superiores, por falta às vezes de médiuns que sintonizem com os seus relevantes propósitos, utilizam-se daqueles que encontram, com dupla finalidade: adverti-los através de orientações seguras e auxiliar as pessoas confiantes ou necessitadas que lhes buscam o socorro.

Não se melhorando tais médiuns, mais agravam o seu estado espiritual, pois que não se podem justificar posteriormente, quando chamamos à ordem, sob a primária alegação de que ignoravam a gravidade dos deveres de que se encontram investidos.

Ademais, a mediunidade é neutra em si mesma, qual telefone que pode ser utilizado por pessoas boas e más, de conduta elevada como reprochável, ricas ou necessitadas, cabendo ao proprietário selecionar a clientela mediante os critérios que melhor lhe digam respeito.

A imperfeição, inerente às criaturas humanas, provém dos atavismos que as fixam às faixas primárias das quais procedem e ainda não lograram liberar-se.

Portadoras da faculdade mediúnica, dispõem de precioso instrumento que, dignamente utilizado, as auxiliará no processo de aprimoramento intelecto-moral, superando os limites primitivos e adquirindo mais amplas percepções sobre a vida e si mesmas, com os olhos postos em metas relevantes que as aguardam.

Malbaratar o precioso talento da mediunidade, deixando-a enxovalhar-se sob o uso com finalidades pueris e frívolas, indignas e vulgares, acarreta penosas aflições que impões renascimentos dolorosos, nos quais a demorada meditação no cárcere carnal deficitário auxiliará o calceta a valorizar os bens do Senhor, que são colocados ao seu alcance para o crescimento íntimo e a felicidade.

Outrossim, a incorreta utilização dos recursos mediúnicos entorpece os centros de registro e termina, quase sempre, por desarmonizar o psiquismo e a emoção, levando a patologias muito complexas.

Médiuns ciumentos, imorais, simoníacos, exibicionistas, mentirosos e portadores de outras imperfeições morais pululam em toda parte, descuidados e levianos, acreditando-se ignorados pelas leis soberanas e supondo-se detentores de forças próprias, podendo-as utilizar a bel-prazer sem qualquer responsabilidade nem consequência moral.

Mesmo estes, vez que outra, são visitados pelos mentores espirituais compadecidos, que deles se acercam para os auxiliar, intentando despertá-los para os deveres e compromissos que lhe dizem respeito.

Cabe, desse modo, a todos os médiuns, a vigilância constante e a oração frequente, a ação caridosa e a disciplina segura, a fim de se precatarem de si mesmos, de suas imperfeições e da interferência dos espíritos impuros e perturbadores, resguardando-se das ciladas que a necessidade de evolução lhes permite enfrentar, a fim de adquirirem a segurança íntima e o equilíbrio para atingirem mais elevadas faixas vibratórias, nas quais permanece o pensamento divino aguardando ser captado para o progresso da humanidade.

Não seja, pois, de causar estranheza, a comunicação dos guias espirituais através dos médiuns imperfeitos e em meios perniciosos, assim como as mensagens dos espíritos estúrdios e maus por meio dos instrumentos de sadia moral e equilíbrio espiritual, que os visitam para se beneficiar e receber instrução e roteiro, esclarecimento e diretriz de libertação.

A imperfeição, que se manifesta nos homens ou nos espíritos, indica estágio inferior no qual transita o seu portador, que se deve empenhar por superá-la, trabalhando com acendrado esforço para libertar-se da sua cruel grilheta.

Todos marchamos da sombra na direção da Grande Luz que nos atrai e que um dia nos banhará em definitivo, eliminando toda mácula e primarismo por acaso ainda existente em nós.

Espírito: Vianna de Carvalho

Médium: Divaldo P. Franco

Livro: Médiuns e Mediunidades.

Site: Luz do Espiritismo - Grupo Espírita Allan kardec

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