sábado, 26 de maio de 2012

Encontro com Jesus


Transparência

Vivemos um período ímpar da história, em que o mundo moderno demanda altos padrões de honestidade, nas relações interpessoais e profissionais.

Nada obstante, habitualmente assumimos posturas que ocultam nossos verdadeiros sentimentos e intenções, com o fito de preservarmos nosso ego de frustrações e sofrimentos, gerando-nos insatisfações e conflitos íntimos. Em outras situações, dissimulamos sentimentos pusilânimes ou venais, laborando com malícia e maquiavelismo, em face das imperfeições morais que ainda conservamos.

As naturais consequências de tais procedimentos serão, sempre, a dor, o sofrimento ou a doença, poderosas ferramentas que a Lei de Deus – misericordiosamente – aplica para a correção do nosso caráter.

Como sempre, em Jesus – o Cristo de Deus -, aprendemos o mais elevado padrão de comportamento. Jesus, de forma inaudita, é o Modelo e Guia da perfeita transparência de sentimentos, desvelando ao homem a mais inequívoca demonstração sobre como viver livre da aparência enganadora.

Revelaram-nos os Benfeitores Espirituais, especialmente pela psicografia de Chico Xavier, que os sentimentos de Jesus eram de uma clareza tão diamantina que facilmente se fazia possível compreender Sua mensagem, não somente através do sorriso largo e amistoso com que acolhia todos que O procuravam, como também pelo olhar afável e leal que pousava sobre os que O encontravam.

Sem dissimulação ou hipocrisia, falava com franqueza e bondade. Conforme percebemos em João (capítulo 6, versículos 66 e 67), muito dos discípulos e seguidores que O acompanhavam desistiram do Evangelho: “À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele”. No entanto, em uma atitude de imensuráveis transparência e lisura, Jesus voltou-se para Os Doze Apóstolos, questionando-os, “à queima roupa”: “Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?”

Raramente na história alguém procedeu com seus amigos com tanta diafaneidade de caráter.

Observamos, igualmente, a postura de Jesus em relação à admoestação acirrada dos Doutores da Lei da Judéia, as principais autoridades religiosas e judiciárias da época.

Malgrado Jesus fosse fiel e devotado cumpridor das Leis romanas e hebraicas, essas autoridades estavam sempre presentes em Suas pregações, buscando encontrar provas que O incriminassem como subversivo e traidor. Quem foram esses prelados? Foram eles:

- Os Fariseus, cuja etimologia significa os “separados”, os “distinguidos”, ou os “abalizados”. Essa seita judaica fazia uma interpretação das Escrituras ao pé da letra, por isso, se perdiam em regras, práticas exteriores e normas que acabavam fazendo-os esquecer a essência do Judaísmo, que é o amor.

- Os Escribas, aqueles que escreviam a Lei e faziam a interpretação para o povo; eram dela profundos conhecedores. Todo fariseu era um escriba, mas nem todo escriba era fariseu.

- Os Saduceus, que constituíam a elite do povo e da classe sacerdotal, os quais costumavam ocupar o cargo de Sumo Sacerdote, na época de Jesus, acreditavam em Deus e nos Profetas, mas não criam na imortalidade da alma.

O apóstolo João, também narra no capítulo 8, versículo 46, do seu evangelho, que Jesus encontrava-se sob o açodar das críticas desses Doutores da Lei. De todas das maneiras, buscavam colocá-lo em contradição, ou mesmo em oposição, às Leis Judaicas, conquanto o Seu discurso transcendesse em inteligência, ao ponto de emudecê-los desconcertantes. A inteligência de Suas exposições só era superada pela vida reta e incorruptível que transluzia para todo o povo. Foi por essa razão que, no aludido capítulo de João, Jesus indaga aos Doutores:

- “Quem dentre vós me convence de pecado?”

A tradução dessa expressão de linguagem tem por significado interrogar quem – dentre todos os presentes – poderia apontar uma única situação na vida de Jesus que pudesse ser criticada, ou pelo menos apontar alguma atitude, palavra ou pensamento, que pudesse ser qualificada como “pecaminosa” ou equivocada. Inolvidável cristalinidade de sentimentos e ações.

Dessa forma, apresentou ao mundo o mais singelo modelo de como viver mantendo elevados padrões de honestidade e integridade, de como agir conforme os ditames da consciência e, sobretudo, de como pensar, sentir, falar e obrar numa extraordinária combinação de transparência e bonomia.

Sigamo-lo, pois!

Autor: Fabiano Nunes

Revista: Cultura Espírita – Nº 04 – Página: 15 – Julho / 2009

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