sexta-feira, 22 de junho de 2012

Influência do Meio e Livre-arbítrio


É preocupação de todos os tempos, a questão da influência do meio na formação do caráter do homem. Filósofos chegaram a afirmar ser o homem produto do meio. O Espiritismo, em seu caráter filosófico, também tem neste questionamento muita contribuição para dar, e ainda vai além, porque estuda não só a influência do meio, mas também do organismo, na formação do Espírito.

São os próprios Espíritos quem nos afirmam:

É inegável que sobre o Espírito exerce influência a matéria (…). Daí vem que, nos mundos onde os corpos são menos materiais do que na Terra, as faculdades se desdobram mais livremente. Porém, o instrumento não dá a faculdade (…) Tendo o homem instinto do assassínio, seu próprio Espírito é, indubitavelmente, quem possui esse instinto e quem lho dá; não são seus órgãos que lho dão.

A matéria é apenas o envoltório do Espírito, como o vestuário o é do corpo. Unindo-se a este, o Espírito conserva os atributos da natureza espiritual.

Com isso temos que realmente tanto a matéria como o meio podem dificultar ou auxiliar no desenvolvimento espiritual, mas jamais determinar a situação de queda ou de elevação.

Tanto o meio como o corpo são atributos conquistados pela própria evolução espiritual. Na verdade, é o Espírito quem determina, pelas suas vinculações, o corpo ou o meio em que irá renascer. Se fosse impossível subtrair-lhe a sua influência, como conseguiria ele o progresso?

Temos também o caso em que o corpo ajuda ao Espírito, porque o esconde de seus inimigos. É comum vermos histórias de Espíritos que retornaram ao corpo físico como forma de esconder de seus obsessores. Outras vezes o corpo nos livra de situações embaraçosas da lei de atração: no estado de vigília superamos determinada tendência, mas quando no estado de desprendimento do perispírito, através do sono, nos achamos diante desta mesma tendência, não conseguimos nos livrar de sua influência. Neste caso, o corpo funciona como defesa.

O livre-arbítrio é sempre o que fala mais alto. Sem ele, qual o mérito ou demérito do ser em processo de evolução?

O que o homem procura é justificar seus erros através da má interpretação do texto evangélico, quando Jesus nos afirma: Na verdade o Espírito está pronto, mas a carne é fraca (Mateus, 26: 41). O que Jesus quis dizer é que temos que nos vigiar, porque todas as vezes que nos deixamos levar pelos interesses imediatistas (da carne), entramos em processo de queda, ou seja, fraquejamos.

Segundo a doutrina vulgar, de si mesmo tiraria o homem todos os seus instintos, que, então proviriam, ou da sua organização física, pela qual nenhuma responsabilidade lhe toca, ou da sua própria natureza, caso em que lícito lhe fora procurar desculpar-se consigo mesmo, dizendo não lhe pertencer a culpa de ser feito como é. Muito mais moral se mostra, indiscutivelmente, a Doutrina Espírita. Ela admite no homem o livre-arbítrio em toda a sua plenitude e, se lhe diz que, praticando o mal, ele cede a uma sugestão estranha e má, em nada lhe diminui a responsabilidade (…) Assim de acordo com a Doutrina Espírita, não há arrastamento irresistível: o homem pode sempre cerrar ouvidos à voz oculta que lhe fala no íntimo, induzindo-o ao mal (…)

Para melhor entendimento do mecanismo de vigilância, que se faz necessário para o bom desenvolvimento do nosso evoluir, sugerimos o estudo do capítulos I e II do livro Pensamento e Vida do nosso bondoso Espírito Emmanuel.

Ele mostra a questão nos seguintes moldes:

O reflexo esboça a emotividade.

A emotividade plasma a idéia.

A idéia determina a atitude e a palavra que comanda as ações.44

No capítulo seguinte temos:

Comparando a mente humana a um grande escritório, subdividido em diversas seções de serviço, temos aí o departamento do Desejo, em que operam os propósitos e as aspirações.

Relacionando o ensinamento deste capítulo com o anterior, temos o desejo como gerador da idéia (pensamento), sendo esta a determinadora da ação.

Assim temos:

DESEJO » PENSAMENTO » AÇÃO

Portanto, moralizemos nosso desejo, e moralizaremos nossas ações.

Mas como moralizar nossos desejos, se eles são frutos da nossa longa experiência reencarnatória?

Segundo Emmanuel, neste mesmo capítulo, temos na mente os departamentos do desejo, da inteligência, da imaginação, da memória, mas “acima de todos eles, porém, surge o Gabinete da Vontade”.

E prossegue:

A Vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental (…)

(…) A eletricidade é energia dinâmica.

O magnetismo é energia estática.

O pensamento é força eletromagnética.

Pensamento, eletricidade e magnetismo conjugam-se em todas as manifestações da Vida Universal, criando gravitação e afinidade, assimilação e desassimilação, nos campos múltiplos da forma que servem à romagem do espírito para as Metas Supremas, traçadas pelo Plano Divino.

A vontade, contudo, é o impacto determinante.

Nela dispomos do botão poderoso que decide o movimento ou a inércia da máquina.

Portanto, podemos dizer que o Espírito é forte o suficiente para vencer as dificuldades impostas pelo meio, e pelo organismo. Para isso basta usar a força chamada Vontade.

Livro: Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho

Centro Espírita Amor e Caridade - Goiânia – GO - 1997

Site: www.autoresespiritasclassicos.com

Livros: “O Livro dos Espíritos”, questão 846.

“O Livro dos Espíritos”, questão 367.

“O Livro dos Espíritos” questão 872.

“Pensamento e Vida” cap. I.

“Pensamento e Vida” cap. II.

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