sábado, 25 de agosto de 2012

As Não-Novidades e Novidades Espíritas


Deus não é uma invenção do Espiritismo. Todas as religiões, em todas as épocas, estabeleceram suas crenças a partir da divindade. De maneira geral havia sempre um deus superior, maior do que todos. Religiões primitivas ou grandes elaborações da fé sofisticada, partiam e partem de Deus, seja lá que nome se lhe dê. Com o Espiritismo temos, pela primeira vez, um deus causa primária de todas as coisas, um deus não pessoa, um deus presença integral em toda a criação. Pela primeira vez um deus que é lei sábia, justa e perfeita e, ao mesmo tempo, um deus amor integral que se faz misericórdia em favor de todas as suas criaturas. Um deus que não se modifica para agradar ou desagradar, um deus não sujeito a mutações, aborrecimentos, um deus que não castiga, usa o tempo para que as suas criaturas, irremediavelmente atraídas por ele, possam evoluir em amor, crescendo na Sua direção. Esse deus é uma novidade na cultura humana.

Também não foi o Espiritismo que inventou a reencarnação. Egípcios, hindus, judeus gregos... é uma ideia de milênios, embora apareça de modo bastante confuso em muitas tradições. Reencarnação, colocada no contexto evolutivo, associada à lei de causa e efeito, ligada aos mecanismos de uso do livre arbítrio, ampliando de maneira extraordinária a clareza no entendimento da saga humana para além das dores, da hereditariedade, da genética, isso é uma novidade que a Doutrina Espírita nos traz.

Mediunidade é outro conceito muito antigo. Todas as religiões são de origem mediúnica. Fenômenos transcendentes povoam a literatura de todos os povos. Seres humanos foram sacrificados, tidos como feiticeiros, outros foram santificados. A mediunidade foi glória e poder, desgraça e tortura, curiosidade e fraude. Negada, vilipendiada, vendida, somente com a Doutrina Espírita percebeu-se que é um atributo humano, assim como a Inteligência. Somos todos médiuns, em maior ou menor grau, de acordo com as nossas necessidades, com as nossas tarefas. Seres vibratórios, podemos entrar em contato com outros seres vibratórios que vibrem no mesmo diapasão, estejam eles encarnados ou desencarnados, em diferentes esferas do cosmos. O estudo deste atributo humano, sua importância, o que fazer com ele para que seja mais uma boa ferramenta de evolução, são algumas das importantes contribuições do Espiritismo que, assim, transforma em novidade algo tão antigo quanto o ser humano.

Evolução é outra questão interessante sob a óptica da Doutrina Espírita. A velha guerra entre criacionistas e evolucionistas não tem mais sentido. Não existe somente criacionismo nem somente evolucionismo. Como Deus é a causa primária, o Criador Incriado, a criação é obra Sua. As bases de tudo o que existe vêm de Deus, que cria ininterruptamente, para além do que imaginamos ser tempo e espaço, os germens da matéria, os germens do espírito. O hausto da divindade é o campo onde os fundamentos da criação se encontram. E, quando os componentes do princípio espiritual encontram-se com os componentes do princípio material, ocorre o Fiat Lux. Lentamente desaguamos nos reinos mineral, vegetal, animal, hominal e somos irremediavelmente atraídos pela ação permanente de Deus sob toda a criação, para os níveis superiores do reino dos céus, privativo dos espíritos puros, verdadeiramente santificados, sem mais nenhum resquício de envolvimento material, numa trajetória que começa muito antes do hidrogênio e termina muito além do gênio. Criacionismo-evolucionismo!

Uma religião científica, uma filosofia religiosa, uma ciência filosófica, modernas abordagens para antigos conhecimentos que, bem compreendidos, levarão a humanidade a uma nova era.


Autor: Cesar Reis

Revista Cultura Espírita

Ano IV – Nº 37 - Página: 11 – Abril de 2012

ICEB – Instituto de Cultura Espírita do Brasil – Rio de Janeiro

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