quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Reencarnação


1 – Conceito e visão de outras Doutrinas Espiritualistas

Reencarnar quer dizer encarnar outra vez, ou seja, tomar de novo um corpo de carne.

Só pode aceitar a reencarnação quem aceita a existência do Espírito e a vida futura, porque aquele que duvida de uma destas duas afirmativas, não pode jamais aceitar a volta do Espírito a um outro corpo de carne. Logo para tratarmos deste assunto, pressuporemos que todos com quem estamos tratando, sejam defensores destas duas idéias.

Usa-se também o termo palingenesia para designar tal fato. Esta palavra é etimo-logicamente originária do grego: palin = de novo, e gênesis = geração; ou seja, nascer de novo.

A reencarnação é assunto tão antigo, que vários povos já a tinham como realidade, não só nos setores religiosos, mas também nos da Filosofia.

Podemos seguramente afirmar que a história da reencarnação se confunde com a própria história da evolução do pensamento religioso.

Na Índia, desde remotíssima antigüidade, de que nos dão notícias os Vedas e o Bhagavad-Gitâ, o conhecimento da reencarnação era sobejamente divulgado através dos cantos imortais da formação moral e cultural do homem.

O Bramanismo e o Budismo nela se inspiraram.

Encontramos no Mazdeismo, antiga religião Persa, o Espírito encontrando a bem aventurança final, não sem ter antes passado por uma purificação progressiva através de provas expiatórias.

No Egito, a doutrina das transmigrações também era conhecida. Ao nascer, o egípcio era representado por duas figuras, uma era a sua personalidade e a outra seu duplo. Durante a vigília, as duas se confundem, mas durante o sono, ao passo que uma descansa, a outra se lança no mundo dos sonhos.

Na cultura grega, foi Pitágoras quem a introduziu após suas viagens realizadas junto aos egípcios e persas. Vamos encontrá-la ainda nos poemas órficos, em Sócrates, Platão, Empédocles etc.. Ela é afirmada com clareza no último livro da “República”, em “Fedra”, em “Timeu” e em “Fédon”.

É certo que os vivos nascem dos mortos e que as almas dos mortos tornam a nascer. (Fedra)

Alma é mais velha que o corpo. As almas renascem incessantemente do Hades para tornarem à vida atual. (Fédon)

Sófocles como Aristófones também adotaram a mesma crença.

Virgílio, Ovídio e Cícero, pensadores romanos, infiltraram-na em suas lições. Virgílio, na Eneida, assevera que a alma, mergulhando no Letes, perde a lembrança das suas existências passadas.

Os druídas apoiavam toda a sua filosofia na justiça palingenésica.

A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. A Bíblia dá reiteradas confirmações disto. Somente os Saduceus, que eram os materialistas da época, não criam nela. Mas as idéias dos judeus sob este ponto não eram muito claras. Acreditavam eles que o homem que vivera, podia renascer, mas não sabiam precisar como.

Os primeiros padres da Igreja, como Orígenes e S. Clemente de Alexandria, eram adeptos da idéia reencarnacionista. S. Gregório de Nysse chega a afirmar que há necessidade natural para a alma imortal de ser curada e purificada e que, se ela não o foi em sua vida terrestre, a cura se opera pelas vidas futuras e subseqüentes. Todavia, a Igreja não podia conciliar seus dogmas e artigos de fé, armas imprescindíveis que eram para o poder desta instituição, com a justiça da doutrina reencarnacionista.

Assim sendo, no Concílio de Constantinopla em 553, os maiorais da Igreja tiraram definitivamente a idéia da reencarnação, toda aceita entre os primeiros Cristãos, de seu corpo doutrinário.

Com isto, o que a Igreja fez foi afastar ainda mais os homens de bom senso do Criador, porque ao invés de uma doutrina simples e clara a respeito da imortalidade da alma e da vida futura, edificou todo um complexo conjunto de dogmas, lançando o homem na obscuridade e no completo desconhecimento de seu destino.

Desta forma, a reencarnação desaparece temporariamente das cogitações filosóficas ocidentais, ainda que alguns pensadores medievais tenham tido o atrevimento de entregar-se aos estudos destes conceitos. O que lhes valeram pela intolerância e ignorância religiosa, muitas vezes, a perda da própria vida.

Apesar da idéia reencarnacionista, como vimos ser de todos os tempos, foi só nos meados do século XIX, com a Codificação Espírita, que tal doutrina recebeu uma explicação lógica e um inegável bom senso. A partir dos estudos dos pioneiros do Espiritismo, pudemos entender melhor sua fundamentação, sua justiça, seu mecanismo, e a comprovação bíblica deste misericordioso artigo da Grande Lei.

Livro: Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho

Centro Espírita Amor e Caridade - Goiânia – GO - 1997

Site: www.autoresespiritasclassicos.com

Livro: “Estudos Espíritas”, cap. 8.

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