sábado, 24 de novembro de 2012

Fatalidade e Destino

 
“ É o homem,por sua própria vontade, quem forja as próprias cadeias, é ele quem tece, fio por fio, dia a dia, do nascimento à morte, a rede de seu destino.”
 Léon Denis

Diante de acontecimentos desagradáveis no dia a dia, logo responsabilizamos a fatalidade e o destino, sem fazer uma maior reflexão.  Mas, será que tudo em nossa vida está predeterminado?  Será que o nosso destino foi traçado?  Como entender fatalidade na visão espírita?

Lemos nos dicionários que fatalidade é a qualidade de fatal.  E que fatal é o determinado, o marcado, o fixado pelo destino.  Ou seja, é a atuação de uma força maior a nos submeter a acontecimentos que independem de nós e dos quais não podemos escapar.  Precisamos refletir e ver outros pontos importantes em torno desses conceitos.  Sendo a nossa intenção analisar o assunto dentro da visão espírita, vejamos o que nos diz O Livro dos Espíritos, Ed. FEB (questão 872):

[...] A fatalidade, como vulgarmente é entendida, supõe a decisão prévia e irrevogável de todos os sucessos da vida, qualquer que seja a importância deles.  Se tal fosse a ordem das coisas, o homem seria qual máquina sem vontade.[...]

Concordamos com essa afirmativa, pois não nos vemos como máquinas.  E se tudo já estivesse escrito, ninguém seria responsável por falta alguma, tampouco teria mérito por coisa nenhuma.  Seríamos meros fantoches e estaríamos à mercê do destino, o que nos parece incompatível com o conceito de Justiça Divina que os Espíritos nos apresentam.

Fatal, na verdadeira acepção da palavra, só é o fato de que vamos um dia biologicamente morrer, pois, quanto às outras coisas, a cada momento estamos transformando.  Entendemos que o destino é quase sempre a consequência de nossas atitudes mentais e comportamentais, das escolhas que fazemos utilizando o nosso livre-arbítrio.  Esse raciocínio encontra explicação em O Livro dos Espíritos, no qual a Espiritualidade diz (questão 859 a):

[...] Não creias, entretanto, que tudo o que sucede esteja escrito, como costumam dizer.  Um acontecimento qualquer pode ser a consequência de um ato que praticaste por tua livre vontade, de tal sorte que, se não o houvesse praticado, o acontecimento não se teria dado. [...]

Contudo, fatalidade não é uma palavra vã, ela está presente no gênero de existência que nós escolhemos como prova, expiação ou missão, antes de reencarnações, pois há escolhas quase impossíveis de serem alteradas, como as doenças congênitas, por exemplo.  Conforme lemos na questão 851, também de O Livro dos Espíritos:

A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer.  Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a consequência mesma da posição em que vem a achar-se colocado.  [...]

Com o uso do livre-arbítrio, temos a liberdade de alterar as escolhas feitas ainda na Espiritualidade, pois tanto podemos aproveitá-las com resignação e superação, quanto nos revoltar, perdendo assim a oportunidade de aperfeiçoamento que estamos vivendo.

O Espiritismo nos ensina a ver nos acontecimentos negativos e perturbadores muito mais que fatalidade e destino; ensina-nos a ver a consequência de nossas escolhas equivocadas, não apenas de outras encarnações, mas, também, da atual.  Ensina, ainda, que por mais difíceis que se apresentem as situações, nós somos senhores dos nossos destinos e podemos com o uso do livre-arbítrio alterar as nossas escolhas, para trazermos o melhor à nossa existência.

Autor (a):  José Antonio Ferreira da Silva
Reformador (Revista de Espiritismo Cristão) - Federação Espírita Brasileira –
Ano:  127 – Nº 2.159 – Páginas:  40 à 41 - Fevereiro/2009

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