segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

As Penas Futuras segundo o Espiritismo



A questão das penas futuras, sempre foi motivo de muitas dissensões entre os religiosos e aqueles que não possuem fé alguma. E se analisarmos com tranqüilidade, em muitas vezes, temos de dar razão aos não religiosos, devido à falta de lógica da teoria professada pelos ditos cristãos.

Também sobre este assunto, a Codificação Espírita trouxe muito esclarecimento. Transcrevemos abaixo, parte do texto escrito por Kardec em sua importante obra “O Céu e o Inferno”.

A doutrina Espírita, no que respeita às penas futuras, não se baseia numa teoria preconcebida; não é um sistema substituindo outro sistema (…). Ninguém jamais imaginou que as almas, depois da morte, se encontrariam em tais ou quais condições; são elas, essas mesmas almas, partidas da Terra, que nos vêm hoje iniciar nos mistérios da vida futura, descrever-nos sua situação feliz ou desgraçada, as impressões, a transformação pela morte do corpo, completando, em uma palavra, os ensinamentos do Cristo sobre este ponto (…).

O Espiritismo não vem, pois, com sua autoridade privada, formular um código de fantasia; a sua lei no que respeita ao futuro da alma, deduzida das observações do fato, pode resumir-se nos seguintes pontos:

1. A alma ou Espírito sofre na vida espiritual as conseqüências de todas as imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal. O seu estado, feliz ou desgraçado, é inerente ao seu grau de pureza ou impureza.

2. A completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, à purificação completa do Espírito. Toda imperfeição é, por sua vez, causa de sofrimento e de privação de gozo, do mesmo modo que toda a perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimentos.

3. Não há uma única imperfeição da alma que não importe funestas e inevitáveis conseqüências, como não há uma só qualidade boa que não seja fonte de gozo (…).

4. Dependendo o sofrimento da imperfeição, como o gozo da perfeição, a alma traz consigo o próprio castigo ou prêmio, onde quer que se encontre, sem a necessidade de lugar circunscrito. O inferno está em toda parte em que haja almas sofredoras, e o céu igualmente onde houver almas felizes.

5. Sendo infinita a justiça de Deus, o bem e o mal são rigorosamente considerados, não havendo uma só ação, um só pensamento mau que não tenha conseqüências fatais, como não há uma única ação meritória, um só bom movimento da alma que se perca (…).

6. Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se o não for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes, porque todas as existências são solidárias entre si. Aquele que se quita numa existência não terá necessidade de pagar segunda vez (…).

7. Não há regra absoluta nem uniforme quanto à natureza e duração do castigo: - a única lei geral é que toda falta terá punição e terá recompensa todo ato meritório, segundo seu valor.

8. A duração do castigo depende da melhoria do Espírito culpado. Nenhuma condenação por tempo determinado lhe é prescrita (…).

9. Dependendo da melhoria do Espírito a duração do castigo, o culpado que jamais melhorasse sofreria sempre, e, para ele, a pena seria eterna (…).

10. O arrependimento conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação. Arrependimento, expiação, e reparação, constituem as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências (…). A necessidade da reparação é um princípio de rigorosa justiça, que se pode considerar verdadeira lei de reabilitação moral dos Espíritos.

11. Os Espíritos imperfeitos são excluídos dos mundos felizes, cuja harmonia perturbariam (…).

12. Como o Espírito tem sempre o livre-arbítrio, o progresso por vezes se lhe torna lento, e tenaz a sua obstinação no mal. Nesse estado pode persistir anos e séculos (…).

13. Quaisquer que sejam a inferioridade e perversidade dos Espíritos, Deus jamais os abandona. Todos têm seu anjo de guarda (…). A influência do anjo de guarda, contudo, faz-se quase sempre ocultamente e de modo a não haver pressão, pois que o Espírito deve progredir por impulso da própria vontade, nunca por qualquer sujeição (…).

14. Conquanto infinita a diversidade de punições, algumas há inerentes à inferioridade dos Espíritos (…). A punição mais imediata, sobretudo entre os que se acham ligados à vida material em detrimento do progresso espiritual, faz-se sentir pela lentidão do desprendimento da alma; nas angústias que acompanham a morte e o despertar na outra vida, na conseqüente perturbação que pode dilatar-se por meses e anos (…).

15. Um fenômeno mui freqüente entre os Espíritos de certa inferioridade moral, é o acreditarem-se ainda vivos (…).

16. Para o criminoso, a presença incessante das vítimas e das conseqüências do crime é um suplício cruel.

17. Espíritos há mergulhados em densa treva; outros se encontram em absoluto insulamento no Espaço, atormentados pela ignorância da própria posição, como da sorte que os aguarda (…). Alguns são privados de ver os seres queridos e todos, geralmente, passam com intensidade relativa pelos males, pelas dores e privações que a outrem ocasionaram (…).

18. O hipócrita vê desvendados, penetrados e lidos por todo o mundo os seus mais secretos pensamentos (…). O egoísta, desamparado de todos, sofre as conseqüências da sua atitude terrena; nem amigas mãos se lhe estenderão às suas mãos súplices; e pois que em vida só de si cuidara, ninguém dele se compadecerá na morte.

19. O único meio de evitar ou atenuar as conseqüências futuras de uma falta, está no repará-la desfazendo-a no presente (…).

20. A situação do Espírito, no mundo espiritual, não é outra senão a por si mesmo preparada na vida corpórea (…).

21. Certo, a misericórdia de Deus é infinita, mas não é cega. O culpado que ela atinge não fica exonerado, e enquanto não houver satisfeito à justiça, sofre a conseqüência dos seus erros (…).

22. Às penas que o Espírito experimenta na vida espiritual ajuntam-se as da vida corpórea, que são conseqüentes às imperfeições do homem, às suas paixões, ao mau uso das suas faculdades e à expiação de presentes e passadas faltas. É na vida corpórea que o Espírito repara o mal de anteriores existências
(…).

23. Todos somos livres no trabalho do próprio progresso, e o que muito, e depressa trabalha, mais cedo recebe a recompensa (…). O bem e o mal são voluntários e facultativos: livre, o homem não é fatalmente impelido para um nem para outro.

24. Em que pese a diversidade de gêneros e graus de sofrimentos dos Espíritos imperfeitos, o código penal da vida futura pode resumir-se nestes três princípios:

1. O sofrimento é inerente à imperfeição.

2. Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis: assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada falta ou indivíduo.

3. Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade.

Livro:  Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade - Goiânia – GO - 1997
Site:  www.autoresespiritasclassicos.com

Livro Pesquisado:
“O Céu e o Inferno”, I Parte, cap. VII.

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