sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Rituais, Símbolos e Feitiçaria

 

É de suma importância para quem inicia no estudo do Espiritismo, saber o que diz a Doutrina dos Espíritos sobre rituais, símbolos e feitiçaria. É muito comum ao leigo confundir Espiritismo com outras formas de espiritualismo, principalmente quando se trata de cultos que usam de muitos rituais quando da comunicação com os “ditos mortos”.
Chegam até a falar de “baixo Espiritismo”, “alto Espiritismo”, “Espiritismo de mesa” e “Espiritismo de terreiro” etc.. Isto mostra no mínimo falta de informação do que seja Espiritismo, pois não existe Espiritismo disso ou daquilo, o que existe é uma doutrina de caráter científico, filosófico e religioso, codificada por Allan Kardec, baseada em princípios que foram ditados pelos próprios Espíritos, e comprovados através do método experimental pelo Codificador.
Sobre a questão dos rituais, Deolindo Amorim nos afirma que:
As tentativas para fundamentar a introdução de rituais, incensos, imagens e outros objetos de culto material no meio Espírita invocam sempre um pressuposto espiritualista, como generalidade, ou fazem apelo à tolerância. Não há, entretanto, razão alguma para tais pretextos, uma vez que o Espiritismo, pelas suas disposições doutrinárias, dispensa completamente qualquer forma de ritual ou peças litúrgicas (…)
Como complemento desta afirmativa de nosso confrade, convidamos nossos irmãos à análise da questão 553 de “O Livro dos Espíritos”:
Que efeito podem produzir as fórmulas e práticas mediante as quais pessoas há que pretendem dispor do concurso dos Espíritos? Respondendo a esta pergunta feita por Kardec, os Espíritos nos disseram:
(…) Todas as fórmulas são mera charlatanice. Não há palavra sacramental nenhuma, nenhum sinal cabalístico, nem talismã, que tenha qualquer ação sobre os Espíritos, porquanto estes só são atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais.
Seria desnecessário comentar esta questão, mas vamos somente lembrar, que o que vai contra uma doutrina, não pode fazer parte da mesma. Portanto tudo que é contrário à Codificação, não pode ser considerado Espírita. Assim sendo quando nos referirmos a rituais, símbolos etc., não estamos falando de Espiritismo.
Por termos em nosso passado militado em outras doutrinas religiosas que faziam uso de rituais, sacramentos, que valorizavam as questões materiais dentro do processo religioso, gravamos em nosso psiquismo estas necessidades místicas, e se não ficarmos vigilantes queremos a toda hora praticar o misticismo dentro da Doutrina Espírita, mas isso é incoerência. Não existe misticismo na água fluidificada, como não existe misticismo no passe ou nas comunicações mediúnicas. O que existe é atuação dos Espíritos nestes processos, atuação que pode ser comprovada pelo uso da lógica, da razão e do bom senso. Portanto não é aconselhável a nós Espíritas, dizer que temos que usar determinadas roupas em reuniões, destampar garrafas para que a água seja fluidificada, ou aplicar passes desta ou daquela maneira, porque como nos afirmam os Espíritos, eles só são atraídos pelo pensamento, e não pelas coisas materiais.
Sobre a feitiçaria, os Espíritos nos afirmam que o que denominamos feitiçaria, muitas vezes, é a mediunidade posta em ação. Há pessoas que têm sensibilidade mediúnica, outras que têm força magnética, outras que têm as duas, e nos dias de hoje quando a Doutrina Espírita tanto nos esclarece, não é mais cabível falar em feitiçaria. Mas é bom lembrar que a mediunidade, é uma faculdade neutra e nós é que damos a ela o uso devido ou indevido de acordo com a nossa posição evolutiva, e por tal somos responsáveis. Não é culpa do Espiritismo se algum “dito Espírita” contrariar seus princípios fazendo uso indevido desta Bendita faculdade.
Só para finalizar, gostaríamos de deixar para meditação, a questão 557 de “O Livro dos Espíritos”:
Podem a benção e a maldição atrair o bem e o mal para aquele sobre quem são lançadas?
Deus não escuta a maldição injusta e culpado perante ele se torna o que a profere. Como temos os dois gênios opostos, o bem e o mal, pode a maldição exercer momentaneamente influência, mesmo sobre a matéria. Tal influência, porém, só se verifica por vontade de Deus como aumento de prova para aquele que é dela objeto. Demais, o que é comum é serem amaldiçoados os maus e abençoados os bons. Jamais a benção e a maldição podem desviar da senda da justiça a Providência, que nunca fere o maldito, senão quando mau, e cuja proteção não acoberta senão aquele que a merece.

Livro:  Apostila do Curso de Espiritismo e Evangelho
Centro Espírita Amor e Caridade – Goiânia – GO – 1997
Livros Pesquisados:
“O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas”
“O Livro dos Espíritos”, questão 553.

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