segunda-feira, 4 de março de 2013

A Força Positiva

“Aproximou-se de Jesus um leproso, prostrou-se e disse-lhe:  Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo:  Jesus, estendendo a mão, retrucou:  Quero; fica limpo.  No mesmo instante o leproso ficou são.”  (Evangelho)

Nós nos achamos sob a influência de duas forças antagônicas entre si:  a positiva e a negativa.  Consoante a ação desta ou daquela, sentimo-nos grandes ou pequenos, capazes ou inertes, varonis ou pusilânimes.
A primeira é força construtora, edifica sempre.  A segunda é demolidora, destrói fatalmente.  Uma gera otimismo; outra engendra pessimismo.  Esta nega; aquela afirma.  A força positiva congraça, originando ondas simpáticas; a negativa dispersa, dando origem a ondas antipáticas.
A corrente positiva é absoluta, tem sua origem na fonte eterna da vida:  Deus.  Sua antagonista é relativa, incerta, dúbia, ora perdendo, ora ganhando intensidade; dimana do homem, de seus defeitos, fraquezas e paixões.  Está, por isso, destinada a ser, em dado tempo, aniquilada, visto como age de encontro à harmonia do Universo.  Perdura enquanto o homem ignora seus perigos, sua natureza e os meios de a alijar de sua mente e de seu coração.  Logo, porém, que lhe seja dado discernir entre a influência dissolvente de uma, e a influência benfazeja de outra, ele deixará de produzir e alimentar a força inimiga, para sorver a largos haustos a energia criadora que tudo vivifica.
Em rigorosa análise, podemos dizer que estas duas forças guardam entre si aquela mesma relação que se verifica entre a luz e as trevas.  Estas não são outra coisa senão a ausência daquela.  Não há realidade nas trevas, como também não há na corrente negativa.  Contudo, as consequências da falta de luz, como os efeitos da ausência de força positiva, ocasionam males tremendos.
Ninguém triunfará na vida senão pela força positiva.  Nos planos superiores ela domina o ambiente.  Nos inferiores é escassa e fugidia, como o clarão dos relâmpagos.  Jesus enchia-se de contentamento quando ela se lhe deparava na Terra.
Comprazia-se em acentuar que só através da força positiva lhe era dado exercer sua missão de amor.
O leproso, de que nos fala a passagem acima transcrita, agiu mediante o influxo da força positiva, de que se achava possuído.  Seu pedido foi expresso em linguagem categórica e firme:  Senhor, si quiseres, podes tornar-me limpo.  A resposta foi articulada no mesmo tom:  Quero; fica limpo.  A voz do céu, pela boca do seu legítimo intérprete, não podia vibrar em outro diapasão.
A tua fé te salvou; a tua fé te curou; seja feito segundo tua fé, e outros dizeres semelhantes têm sua explicação no poder dessa energia, na ação inconfundível da força positiva através da qual Jesus Cristo operou os prodígios que maravilharam o mundo.

Livro:  Nas Pegadas do Mestre
Autor:  Vinicius (pseudônimo) – Pedro de Camargo
8ª Edição em 1992 – Editora Federação Espírita Brasileira (FEB) –
Páginas:  57 até 58 – Brasília-DF – 1933

Nenhum comentário: