segunda-feira, 4 de março de 2013

Imperialismo e Cristianismo



Quem pretende conquistar o mundo, mostra com isso não se ter conquistado a si mesmo.
Quando Jesus disse – “Eu venci o mundo” – exprimiu este pensamento:  O mundo não me fascina, não exerce sobre mim nenhuma influência, estou acima de suas tentações.
O ideal de domínio do mundo é a antítese do ideal cristão.  O reino do Cristo não é deste mundo.
O imperialismo alemão, último vestígio dos imperialismos pagãos de outrora, ruiu com grande fragor, arrastando outros tantos povos que, igualmente, pretendiam possuir o mundo.
O sonho de poderio e de mando tem desvirtuado os sublimes ideais cristãos, toda a vez que o homem pretende empregá-los na expansão de suas desmedidas ambições.
Dizem os credos religiosos imbuídos de imperialismo:  Ganhemos o mundo para Cristo.  No entretanto, o Cristo não quer o mundo:  quer a regeneração do pecador, quer os nossos corações escoimados de egoísmo, de orgulho e de cobiça.  “As aves têm seus ninhos, as raposas têm seus covis, mas o Filho de Deus não tem onde reclinar a cabeça.”  Os que pretendem, pois, ganhar o mundo, querem-no para si, e não para o Cristo.
A Igreja tem sido o foco do imperialismo mundial.  Ela tem fome e sede de domínio.  Semelhante veneno tem empeçonhado povos e nações, que a ela se encostam visando ao mesmo objeto.
O delírio da posse e do domínio incompatibiliza o homem com Deus e com a sua justiça.  Todos os meios lhe parecem lícitos para atingir o alvo.
Jesus faz da renúncia o essencial para a admissão em seu apostolado.
Quem alimenta aspirações mundanas de qualquer natureza não pode ser seu discípulo.
O cristão aspira ao bem geral independentemente de estreitas simpatias.
O seu objetivo é servir, e não governar os homens.  O império a que ele visa, é o império de si mesmo, submetendo-se à lei viva de Deus consoante os ditames de sua consciência.  O domínio a que ele, igualmente, aspira é o domínio do seu espírito sobre sua matéria, de sua inteligência e vontade sobre os desejos e arrastamentos de sua natureza inferior.  Não quer, em suma, conquistar senão a si próprio.

Livro:  Nas Pegadas do Mestre
Autor:  Vinicius (pseudônimo) – Pedro de Camargo
8ª Edição em 1992 – Editora Federação Espírita Brasileira (FEB) –
Páginas:  61 até 62 – Brasília-DF – 1933

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