quinta-feira, 28 de março de 2013

O Crime de Jesus


Então disse Pilatos aos principais sacerdotes e à multidão:  Não acho culpa alguma neste homem.  Mas eles insistiam ainda mais, dizendo:  Ele agita o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui em Jerusalém.”  (Evangelho)

Segundo o juízo do mundo, Jesus foi um criminoso.  Como tal, instauraram processo contra ele; arrastaram-no à barra dos tribunais, onde, após sumário julgamento, foi condenado e justiçado entre ladrões.
Onde há criminoso, há crime e há vítima.  Jesus, neste caso, é o criminoso.  Qual o seu crime?  Onde a vítima ou as vítimas do fato delituoso que lhe imputaram?
Qualifiquemos o réu.  Seu nome é Jesus, o Cristo.  Seus pais:  José, o carpinteiro, e Maria de Nazaré.  Conta 33 anos.  Natural de Belém de Judá.  Ocupa-se em curar os enfermos, erguer o ânimo abatido dos desgraçados, e difundir uma doutrina estranha, cujas bases assentam no amor do próximo, no culto da verdade e da justiça, e no aperfeiçoamento próprio.
Interrogado sobre a culpa que lhe atribuíam, nada respondeu.  Não obstante, encontraram razão para processo, julgamento e condenação.  Nenhuma voz se levantou em sua defesa:  inúmeras se ergueram com veemência para o acusar.  Seus amigos eram poucos e tímidos, colhidos entre os párias da sociedade.  Seus inimigos eram ricos e poderosos; dirigiam a política e a religião dominante.
E, afinal, de que delito o acusavam?  Conviver com os humildes?  Saciar os famintos?  Sarar enfermos?  Nada disso.  Do terrível libelo articulado contra ele não consta que o acusassem pelo fato de distribuir pães e peixes, e, muito menos, por limpar leprosos e dar vista a cegos.  Naquele tempo escasseavam os médicos e abundavam os doentes; o réu profissional dormitava ainda.  Não havia mesmo inspectoria de higiene.  Demais, Jesus não ministrava drogas nem poções.  Debelava as doenças, porque, diz a Escritura, “a virtude de Deus estava com ele para curar”.
A política e a fé vigentes não se amotinaram, pois, por motivo das curas.  Não foi esse o crime do Filho de Maria.  Qual teria sido, então?  O crime de Jesus Cristo é o mesmo pelo qual tem respondido, e ainda respondem, neste mundo, todos os arautos da verdade, todos os pioneiros da justiça, todos os apóstolos da liberdade:  instruir os ignorantes, defender os oprimidos e expoliados, amparar os fracos, remir os escravizados – numa palavra – ensinar o povo.
Conhecidos o crime e o criminoso, cumpre rematar, apontando as vítimas.  Tais são elas:  a hipocrisia desmascarada, o despotismo vencido, a exploração desfeita.

Livro:  Nas Pegadas do Mestre
Autor:  Vinicius (pseudônimo) – Pedro de Camargo
8ª Edição em 1992 – Editora Federação Espírita Brasileira (FEB) –
Páginas:  103 até 104 – Brasília-DF – 1933

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