segunda-feira, 29 de abril de 2013

Médium

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Qualquer um pode ser médium?

Médium é a pessoa que tem a capacidade de ser intermediária entre o mundo corporal e o espiritual. Essa capacidade é um dom do espírito, mas seu exercício depende de certas disposições orgânicas. É um compromisso assumido antes da reencarnação e que tem por finalidade a renovação espiritual do próprio médium, pelo trabalho voltado ao bem do próximo. Porém, todos nós somos mais ou menos sensitivos, ou seja, capazes de sentir de alguma forma a presença de espíritos ao nosso redor. Despreocupados dessa realidade, fatos estranhos acontecidos conosco passam sem explicação razoável, como tristezas ou alegrias repentinas; arrepios, formigamentos, dores ou doenças sem causa aparente; pensamentos contraditórios e nem por nós aceitáveis; ideias e soluções de estalo para problemas difíceis; premonições; e visões das almas de pessoas mortas.

Assim, aquele que tem essa faculdade mais aflorada é que pode ser considerado médium. Não é dom que se transfira de uma pessoa para outra e tampouco conseguiremos desenvolvê-lo em nós sem que exista o compromisso. Por mais que desejemos ser um médium psicógrafo (escreve mensagens de espíritos), se não tivermos uma tarefa com esse tipo de mediunidade não o seremos. Em razão disso, a mediunidade é acontecimento em nossa vida que deve desabrochar espontaneamente, para que possamos aproveitá-la de maneira satisfatória. Mas se aparecer, não devemos recusá-la, pois estaremos perdendo grande oportunidade de evolução ou, em muitos casos, correndo o risco de ficarmos desequilibrados por não trabalharmos com as energias que são atraídas pela nossa sensibilidade.

Há, contudo, que se tomar muito cuidado no exercício da mediunidade. É que lidamos com os espíritos e estes, sendo os próprios homens depois da morte, tanto podem ser bons como maus. E os maus não querem outra coisa a não ser a nossa infelicidade. Não basta nessa atividade os bons propósitos, pois os maus são ardilosos. É preciso prévio e teórico conhecimento do que seja o mundo espiritual, mediunidade e suas implicações. Atirando-nos diretamente à prática mediúnica, poderemos ser vítimas de processos obsessivos, ficando envolvidos pelos espíritos inferiores.

O Espiritismo possui a mais vasta literatura sobre mediunidade, ensinando-nos tudo que é de mais importante e básico para que o médium possa educar a sua faculdade, de modo que esta lhe seja útil e também ao próximo. Não é um conhecimento que pretendemos seja trancando a sete chaves, para que somente nós tenhamos o seu segredo, o qual no antigo Egito era revelado apenas aos iniciados. Pelo contrário, desejamos mesmo que todos tenham contato com essas informações, o que não significa tornar-se espírita, pois a mediunidade e o inter-relacionamento com os espíritos é fenômeno natural e atinge a todos, sem restrições.

Em um tempo não muito distante, os médicos não se preocupavam com a assepsia no trato com os doentes, acarretando muitas mortes por infecção. Após a descoberta das até então invisíveis bactérias transmissíveis de doenças infecciosas, a higiene passou a ser condição básica no tratamento médico. Agora, quando não se tem mais dúvidas quanto à existência dos espíritos, também invisíveis, precisamos aprender a conviver com eles, especialmente os que possuem a faculdade mediúnica.

Autor: Donizete Pinheiro

Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 23 São Paulo – 1997

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