segunda-feira, 27 de maio de 2013

Céu e Inferno

Existem mesmo um céu e um inferno depois da morte? E se existem, onde ficam?

Céu e inferno sempre estiveram correlacionados com a ideia de premiação ou castigo de quem age certo ou errado, no bem ou no mal. Todos os povos e religiões têm essa noção, porque faz parte da lei natural conhecida como ação e reação, pela qual a toda causa corresponde um efeito de igual natureza e intensidade.

Quando ainda sem condições de bem compreender as verdades espirituais, especialmente a vida após a morte, o homem imaginou um céu e um inferno consoante a sua limitada inteligência e os seus anseios pessoais. O paraíso seria então a recompensa almejada pelos bons, mas pelos critérios da felicidade do nada de preocupações ou do nada por fazer. Já no inferno o mau estaria ardendo em chamas para sempre, sob o guante do demônio, o maligno eterno opositor de Deus. Em função disso, por muito tempo os religiosos déspotas conseguiram domínio sobre os fracos, ameaçando-os com o fogo eterno; ao passo que, a peso de ouro, vendiam lugares no paraíso aos senhores poderosos que viviam na luxúria e na corrupção.

A Doutrina Espírita, desvendando para nós as verdades do mundo espiritual, permitiu uma melhor compreensão do céu e do inferno.

Afasta-se do início a idéia de anjos e demônios criados por Deus e desde sempre voltados para o bem e para o mal. Todos fomos criados simples e ignorantes, sem exceção, e destinados à conquista da pureza. O anjo é o espírito que já atingiu a culminância; e o demônio é o espírito ainda inferior e que teima em permanecer na maldade, mas que como todos os outros um dia vai se arrepender e retomar a marcha do progresso.

Não existe um céu e um inferno estabelecidos pelo Criador. São eles estados de consciência. Deus, na sua infinita sabedoria, criou mecanismos automáticos que conduzem a criatura ao seu crescimento intelectual e moral. Como dissemos no início, a cada atitude nossa corresponde uma reação, seja ela do nosso próprio corpo, do nosso semelhante ou da natureza. A avaliação do retorno nos permite saber se estamos agindo conforme a Lei Divina ou contra ela. As coisas boas que nos chegam nos proporcionam paz, felicidade, alegria, segurança, e nos estimulam a continuar por esse caminho. As coisas ruins causam-nos doenças, desequilíbrios, tristezas, aflições e solidão; e tais sofrimentos são permitidos por Deus para que repensemos a nossa vida e reajustemos o passo.

Ao despertar da consciência – o que às vezes depende de muito sofrimento -, o espírito arrepende-se dos erros cometidos e não fica em paz enquanto não consegue se redimir. Aqui na Terra, atenuamos o arrependimento ocupando a nossa mente no trabalho, no estudo, no sono, no lazer e até mesmo nos vícios. Na espiritualidade, porém, onde tudo é absolutamente transparente, o erro e o arrependimento permanecem conosco todo o tempo, convertendo-se num verdadeiro inferno.

Por uma lei de afinidade, os bons reúnem-se com os bons, daí falar-se em paraíso; e os maus ajuntam-se com os maus, daí o inferno. Em qualquer caso, não há um lugar pré-determinado; paraísos e infernos situam-se espalhados pelo planeta, estes sempre mais próximos da crosta terrena. O certo, contudo, é que, por onde formos, estaremos carregando em nosso íntimo o céu ou o inferno que edificamos com as nossas boas ou más condutas.

Autor: Donizete Pinheiro

Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 39 - São Paulo – 1997

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