sábado, 25 de maio de 2013

Religião

É importante ter uma religião?

O homem atual parece que está em dúvida quanto a isso. Não satisfeito com os padrões religiosos vigentes até algum tempo atrás, uma vez que não lhe era permitido discutir os dogmas instituídos e satisfazer os questionamentos do intelecto amadurecido, e tampouco encontrando o consolo para as suas aflições, o homem não só abandonou os templos, mas também afastou-se de Deus.

Refugiou-se no trabalho e nos prazeres da carne, imaginando que isso pudesse lhe preencher a alma, mas os desajustes físicos e mentais que se vê à solta, abarrotando hospitais, cadeias e lares infelizes, demonstram o engano em que se mantém. Inútil pensar que somos capazes de viver à margem de Deus. Sem o alimento material, o corpo enfraquece, adoece e perde a vida. Sem o alimento espiritual, a alma igualmente enfraquece, perturba-se e permanece em sofrimento, que lhe parece eterno, porquanto a imortalidade é seu atributo.

Como o filho pródigo da parábola evangélica, que depois de muito sofrer e arrependido retorna ao lar paterno, mais cedo ou mais tarde o homem perceberá que os bens materiais adquiridos com o exaustivo trabalho não lhe satisfazem os anseios da alma, não lhe dão a força íntima capaz de suportar as dores maiores, como a perda de entes queridos, as desilusões amorosas, os fracassos, a solidão e os medos. Perceberá que a satisfação ininterrupta dos instintos gera permanente insatisfação, convertendo-se em angústia incontrolável e destruidora.

É certo que a medicina moderna tem contribuído para o reequilíbrio mental do homem, mas ainda não alcançou a plenitude dos seus recursos, justamente porque não leva em conta o fato de que o homem é espírito imortal e renasce várias vezes; e desconsidera também que somente a perfeita identificação da criatura com o Criador, pelo cumprimento das leis por este instituídas, é que proporcionará a saúde integral e perene. Em razão disso, acaba por tratar a doença, sem tratar o doente, que continuará a atrair para si mais doenças.

Ao curar as pessoas, Jesus alertava: “Vá e não peques mais”. Sendo o maior de todos os terapeutas, ensinava o Mestre que somente a vida reta proporciona o equilíbrio da alma e do corpo. Deixou-nos Ele regras divinas de comportamento, além daquelas insertas no decálogo de Moisés, para que pudéssemos viver bem conosco mesmo e com o próximo. Bastaria que as seguíssemos, e tudo em nós seria bom.

O Espiritismo, procurando reviver o Cristianismo em sua pureza, tem aprofundado o estudo da filosofia de Jesus, elucidando-a e complementando-a com as revelações do plano espiritual, dando-nos respostas fundamentais: Quem sou? De onde vim? O que faço aqui? Por que sofro? Para onde vou?

Muitas pessoas dizem: não sigo nenhuma religião, mas creio em Deus e procuro ser bom. Ótimo, mas não basta. Ninguém que queira realmente crescer conseguirá sozinho penetrar em todos os conhecimentos eternos; é preciso estudo aprofundado das coisas, só alcançável pela troca constante de informações entre as pessoas. Ninguém sozinho conseguirá vencer todos os sofrimentos, porque não somos bastante fortes para isso; o apoio da religião e dos companheiros de crença impede-nos a derrocada total.

Imprescindível, pois, que o homem retorne para Deus o quanto antes, buscando-O na religião que mais lhe preencha a alma. E encontrando Deus, terá encontrado a si mesmo, porquanto, na verdade, o Criador também está dentro da criatura.

Autor: Donizete Pinheiro

Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 35 - São Paulo – 1997

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