domingo, 9 de junho de 2013

Caridade

Como devemos compreender a caridade?

Caridade é uma das formas de manifestação do amor. Este, o mais sublime sentimento da criatura, não pode permanecer embutido em nosso íntimo; precisa ser desenvolvido e demonstrado, pois do contrário converter-se-á em egoísmo, que é o amor a si mesmo. Sempre que exteriorizamos o amor, somos imediatamente abençoados pelo Amor Divino, que nos envolve nas graças da alegria, do bem-estar e da paz de consciência. Se recebemos o que damos, doando amor verdadeiro naturalmente estamos em condições de receber o amor do próximo.

Portanto, em relação à caridade, o primeiro pensamento que devemos ter é o de que a sua prática é um bem que fazemos a nós mesmos, embora o necessitado possa ser beneficiado com a nossa ação positiva. É que este de qualquer maneira receberia a ajuda, pois Deus sempre dá a cada um o que merece para a sua felicidade. Bendita a oportunidade que o Pai nos concede de praticar o bem, porque assim crescemos de encontro à felicidade.

Amplo é o leque da caridade, compreendendo qualquer ação que tenha por fim amparar o semelhante. A mais comum e a mais fácil é a caridade material. Entregamos ao carente bens que lhe possam ser úteis, quais sejam: dinheiro, roupas, calçados e outros. A mais comum porque o contingente de pobres no mundo é muito grande; a mais fácil porque requer de nós apenas dar algo que em regra está nos sobrando.

A caridade moral é a que praticamos com maior dificuldade, mas que pela sua natureza está ao alcance de todos, ricos ou pobres. Não se requer dinheiro, mas um envolvimento pessoal junto ao irmão aflito, desde uma simples palavra de consolo e esperança até ações complexas, que muitas vezes nos comprometem o sossego, o tempo e relacionamentos. E mesmo que não nos seja possível um contato direto e pessoal com o necessitado, ainda assim podemos ajudá-lo com a prece ou pensamentos positivos, pelos quais endereçamos a ele energias balsamizantes. Ninguém, pois, se diga incapaz de fazer caridade.

Porém, para que o nosso gesto tenha alguma validade para nós, é preciso observar as recomendações de Jesus. Disse o Mestre que o bem praticado não deve ser anunciado, mas que a mão esquerda não saiba o que dá a mão direita. Se por ventura podemos auxiliar alguém, que o façamos em silêncio, para que este último não se sinta humilhado com a publicidade do fato. Não esperemos na Terra qualquer retribuição, nem mesmo do beneficiário, confiante de que Deus, que tudo vê e tudo sabe, recompensa a mancheias aquele que faz a Sua Vontade.

Não deve ser nossa preocupação fazer muita caridade, mas sim o que sinceramente podemos fazer, porquanto mais vale o pouco que oferecemos de coração do que o muito por ostentação, conforme o Cristo observou aos seus apóstolos quando a pobre viúva depositou apenas duas moedas no recipiente de contribuições do templo judaico.

O apóstolo Paulo colocou a caridade acima da fé e o Espiritismo entende que fora da caridade não há salvação. Isso porque de nada vale a nossa fé se ela não nos leva a ser solidários com o próximo, a estender-lhe a mão quando está necessitado, a fazer-lhe todo o bem possível, seja ele quem for. A caridade é motivada pelo espírito de solidariedade e este mais se desenvolve com a sua prática. Irradia-se e contagia a todos que se submetem aos seus eflúvios amorosos, transformando tristezas e desespero em esperança.

Destarte, praticar a caridade é um meio eficaz e necessário, em especial nos tempos de tantas aflições quanto os atuais, à eliminação das diferenças psicossociais existentes, e com isso estabelecermos na Terra um mundo de igualdade e fraternidade entre as criaturas.

Autor: Donizete Pinheiro

Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 60 - São Paulo – 1997

Um comentário:

Marcos Paulo disse...

FANTÁSTICA ESSA REFLEXÃO.