sábado, 1 de junho de 2013

Demônios: Possessão

Existe a possessão demoníaca?

Tradicionalmente, o demônio é considerado o anjo revoltado que eternamente combate a Deus e instiga o homem para o mal. O Espiritismo dá interpretação diferente. Não é compatível com a sabedoria e a bondade divinas a criação de seres para sempre voltados à maldade e à destruição. Deus não faz nenhuma distinção entre seus filhos. Cria-os todos simples e ignorantes e dá-lhes as mesmas oportunidades de alcançar a felicidade, pelo desenvolvimento da inteligência e dos sentimentos.

O demônio é simplesmente um espírito que ainda não compreende as leis divinas e, não podendo ser feliz, não quer permitir que os outros também o sejam. Pelos crimes cometidos, afundou-se tanto nas trevas que não acredita possa um dia libertar-se dela; desconhecendo os efeitos salutares do amor, apega-se à força e a emprega contra todos e tudo, imaginando com isso manter-se indene de quaisquer investidas contra si, mesmo as de Deus, cujo domínio recusa-se a admitir. Contudo, por mais que se demore no mal, a lei do progresso fará com que se arrependa e retorne ao caminho do bem.

Demônios, pois, são todos aqueles espíritos renitentes no erro, na vingança, na revolta. Tanto podem ser desencarnados como encarnados. É comum encontrarmos pessoas tão malvadas, cruéis e frias que nos referimos a elas como sendo o próprio demônio.

E esses espíritos podem realmente atormentar uma pessoa, tentando-a ao mal, insuflando nela pensamentos negativos de variada natureza, num processo que a Doutrina Espírita denomina de obsessão. Em outras vezes, conseguem maior domínio sobre ela e a subjugam, fazendo com que tenha condutas violentas, anormais e ridículas, de maneira que aos olhos dos outros e dos médicos é considerada uma louca. Também não é muito raro os casos em que o espírito imprime fortemente sua personalidade sobre a pessoa, que é como se ele mesmo estivesse ali no corpo agindo e falando.

Afora isso, não se utiliza o vocábulo possessão, porque daria a falsa ideia de que é possível ao espírito maléfico apoderar-se definitivamente do corpo de alguém e passar a usá-lo como se fosse seu. A alma está ligada ao corpo por laços fluídicos estabelecidos desde a concepção, os quais só se rompem com a morte. Portanto, enquanto há vida, ali está a alma, que não pode ser substituída por outra.

Perturbações espirituais não são afastadas com palavras cabalísticas, objetos ou talismãs, porque os obsessores sabem que estes nenhum mal lhes causa. É preciso que o obsediado renove a sua mente para o bem, adquira hábitos sadios, exercite a caridade e fortaleça a sua fé em Deus pela oração. Nos casos mais graves, é imprescindível o diálogo esclarecedor com o obsessor, conclamando-o ao amor, ao perdão ou ao entendimento fraterno.

Em qualquer caso, porém, somos nós mesmos que atraímos espíritos inferiores, como um imã atrai a limalha, quando mantemos vida desregrada, nos vícios e na sensualidade, na usura e na ambição, na vaidade e na inveja, na preguiça e no pessimismo, na revolta e na intolerância, enfim, quando estamos distantes de Deus.

Daí a importância de uma reflexão sobre a nossa vida, de reavaliamos as nossas condutas, de modo que, fazendo luz, afastemos as trevas de nosso caminho.

Autor: Donizete Pinheiro

Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 44 - São Paulo – 1997

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