domingo, 9 de junho de 2013

Doação de Órgãos – Cremação

Quais as consequências para a alma da pessoa que doa os seus órgãos ou cujo corpo é cremado?

O corpo é um instrumento bendito que Deus nos concedeu para que pudéssemos renascer na Terra e aqui, enfrentando as dificuldades naturais da vida material, aprimorar os nossos conhecimentos e sentimentos. Diante de sua grande importância, incumbe-nos manter a integridade desse maravilhoso patrimônio, conservando a vitalidade que lhe é própria.

Fomos dotados do instinto de preservação, uma defesa automática que nos faz evitar situações de perigo à nossa integridade e nos leva a buscar os meios necessários à sua manutenção. Por isso temos reflexos defensivos contra eventuais ataques à nossa pessoa; o medo impede-nos atitudes para as quais não estamos preparados e coloquem em risco a nossa vida; e as dores nos levam a buscar solução para a fome, o frio e os males físicos.

Porém, mais importante do que o corpo humano, é a alma. Porque a alma somos nós mesmos, a individualidade que pensa e sente; que é imaterial e imortal, portanto sobrevivente à destruição do corpo de carne. Assim como a roupa estragada não serve mais ao homem, igualmente o corpo morto é imprestável à alma. Quanto mais somos apegados às coisas materiais, mais valor damos à elas e mais falta sentiremos delas após o desencarne. O contrário é verdadeiro: Quanto mais valorizamos a alma, menos sofreremos com a perda das coisas materiais depois da morte do corpo.

Em qualquer caso, a doação dos nossos órgãos será sempre um ato que nos beneficiará. Fazendo o bem ao próximo, por exemplo livrando-o da cegueira, dos processos dolorosos da hemodiálise ou de um fraco coração, atraímos a misericórdia divina e a simpatia dos bons espíritos, que intercedem em nosso favor, amenizando o nosso próprio sofrimento no retorno à Espiritualidade. Nenhuma consequência negativa há para o espírito, porquanto este não sofrerá com a retirada do órgão, a qual não atingirá o corpo espiritual. Isso mesmo quanto a pessoa não fez em vida doação voluntária. E se o doador é alguém apegado ao seu corpo, a extração de um órgão será fato menor ante a perda da vida, até porque, muitas vezes, o espírito nem percebe ou então não compreende o que está acontecendo.

Na hipótese de cremação, que nenhum benefício trará a ninguém, a questão merece ser analisada apenas quanto ao espírito mais materializado. É que, embora tenha ocorrido a morte, esse espírito não se desliga imediatamente do corpo, permanecendo a ele ligado até que se rompam todos os laços perispirituais. Enquanto isso não ocorre, é possível que as sensações do corpo material repercutam no corpo espiritual. Assim, o espírito poderá sentir parcialmente a destruição das células, acarretando-lhe muito sofrimento, conquanto ele, espírito, não esteja sendo efetivamente queimado. Em havendo proposta de cremação, recomenda a Espiritualidade que se aguarde pelo menos 72 horas para a sua realização, tempo que permitirá o desligamento do espírito.

Valorizemos o corpo, mas acima de tudo valorizemos a alma, enobrecendo os sentimentos pelas boas obras, adquirindo inteligência e a empregando com sabedoria, para que assim melhorados possamos tranquilamente nos libertar da matéria, retornando à Espiritualidade equilibrados e resplandecendo luz.

Autor: Donizete Pinheiro

Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 49 - São Paulo – 1997

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