sábado, 1 de junho de 2013

Eutanásia

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É lícito perante Deus a eutanásia?

Eutanásia significa morte serena, sem sofrimento. Tem sido realizada mediante a aplicação de substâncias que, sem dor, abreviam a vida de doentes terminais, incuráveis.

A legislação penal brasileira a proíbe, considerando-a crime de homicídio. As religiões igualmente combatem a eutanásia, e o argumento forte é o de que, sendo Deus a fonte da vida, somente Ele pode tirá-la.

Os médicos em geral são contrários a essa prática, porquanto entendem que sua missão é a de salvar vidas, a todo custo, e não a de exterminá-las. Mas vez por outra se tem notícias de médicos que usaram desse expediente às escondidas, espontaneamente ou a pedido do doente ou de seus familiares. Acham esses profissionais que estão praticando ato meritório, já que, não havendo mesmo salvação, a morte acaba com o sofrimento desnecessário do doente e até de seus parentes, que muitas vezes não têm condições financeiras de mantê-lo vivo.

O Espiritismo não admite a eutanásia e apresenta os seus argumentos, que aqui tentaremos resumir.

Deus realmente é a fonte da vida. Por mais que a ciência humana progrida, não conseguirá que a vida se estabeleça sem as condições já pré-determinadas pela natureza, que é a manifestação do Criador. Em decorrência, sempre que abortamos o fluxo natural da vida, estamos infringindo as leis divinas, perturbando a harmonia universal, e com isso sofrendo as consequências do ato. Esse pensamento aplica-se não só à eutanásia, mas também ao aborto, ao homicídio e ao suicídio.

Enganam-se, os defensores da eutanásia, quanto à morte. Materialistas que são, não admitem nada além do que os seus olhos vêm e seus aparelhos detectam. Imaginam que matando o corpo acabam com o sofrimento do doente. No entanto, o sofrimento corporal muita vezes é menor do que o sofrimento moral que o doente experimenta. O corpo, conquanto importante, não passa de um instrumento para a nossa manifestação aqui na Terra. A morte desorganiza apenas os elementos orgânicos, mas a alma, que é imortal, permanece viva e individualizada, carregando consigo as mesmas mazelas e virtudes que a identificavam.

É preciso, pois, meditar mais sobre o sofrimento humano, deixando de entendê-lo como um castigo de Deus aos homens pecadores, mas como um remédio que devemos sorver para a cura da nossa alma, não obstante possa ser ele amargo. Deus é Amor e Justiça perfeitos, de modo que só permite que aconteça aos homens – seus filhos – o que é necessário ao seu crescimento moral e intelectual.

Para a trajetória espiritual da alma, todo instante que ela consiga passar aqui na Terra é importante. Quando preso ao leito, com males incuráveis e dores insuportáveis, a alma tem a oportunidade de repensar a sua vida, seus atos; avaliar o que fez de certo ou errado; meditar sobre a nossa pequenez e fragilidade; adquirir paciência, resignação e humildade. E mesmo quando em estado comatoso, a inconsciência não atinge a alma, que pode igualmente aprender com a dura experiência.

Pelas leis de solidariedade e fraternidade, podemos e devemos usar de todos os recursos ao nosso alcance para minorar a dor e a angústia do doente, mas encurtar o seu tempo de vida, em verdade, é para ele um prejuízo. Diante disso, entreguemos a Deus o momento de nos chamar de volta à Espiritualidade, porque Ele, melhor do que ninguém, sabe das nossas necessidades.

Autor: Donizete Pinheiro

Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 48 - São Paulo – 1997

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