sábado, 29 de junho de 2013

Vinde a Mim

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Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Pai senão o Filho; e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim todos vós que andais em trabalho, e vos achais oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Evangelho)

Jesus acha-se de posse da suprema graça. Frui o sumo bem, e sente em si a plenitude da força onipotente, que emana de Deus. Sua íntima e perfeita comunhão com o Pai torna-o participante dos divinos atributos. Em tais condições, um desejo ardente domina seu amorável coração: tornar os homens tais como ele é, fazê-los co-herdeiros, com ele, da paterna herança.

Daí o chamado: “Vinde a mim todos vós que achais em trabalho, oprimidos, e eu vos aliviarei.”

Todos os males que nos afetam têm origem na falta de comunhão com Deus. Consequentemente, tudo que nos causa aflições, mágoas e sofrimentos, resolver-se-á como que por encanto, mediante o estabelecimento de nossas relações com a Divindade. Da harmonia com o Infinito depende todo o nosso bem. Convém notar que esta asserção é isenta de fantasmagoria e de ideias supersticiosas. Não se trata de milagre, mas de efeito positivo duma lei natural.

Estar com Deus importa em obedecer às leis que regem os destinos da Vida, seja qual for o cenário onde essa Vida se ostente.

A lei por excelência, da qual decorrem as demais, como simples modalidades, é o Amor. Quem está fora do amor destrói sua comunhão com Deus, quebra, na parte que lhe toca, a harmonia da vida universal.

O chamamento de Jesus – “vinde a mim” – é o apelo do amor. É a inspiração duma alma, transbordante desse sentimento, que anseia por comunicá-lo a outrem. O “vinde a mim” significa, portanto, ide a vós, ide uns aos outros, amai-vos mutuamente.

Por mais paradoxal que esta interpretação possa parecer, ela é, contudo, a expressão da verdade. Jesus, chamando-nos a si, pretende lançar-nos nos braços, uns dos outros, irmanando nossos ideais, fundindo nossos espíritos numa unidade.

A vida terrena é cheia de asperezas e amarguras, porque os homens vivem divorciados do amor. Não procedem como irmãos, mas, antes, como adversários cujo interesse está em se destruírem reciprocamente.

O caminho para irmos a Jesus é um só, e consiste, como já ficou dito, em irmos uns aos outros, em vazarmos, uns nos corações dos outros, nossas mágoas e nossas aflições. Enquanto permanecermos em atitude reservada, cheios de desconfianças, vendo em cada irmão nosso um competidor e aniquilar, ou um inimigo a vencer, havemos de suportar os males que nos afligem e perseguem desapiedadamente.

A pedra de tropeço que nos embarga o passo, conservando-nos distanciados do Senhor, é o orgulho. O orgulho é uma das formas mais funestas assumidas pelo egoísmo. Por isso, o Mensageiro do amor, o inigualável Médico das almas, que conhece a fundo todas as particularidades de nosso “ser”, oferece o remédio de que carecemos: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para vossas almas”. Noutras palavras: Combatei o orgulho, cultivando a humildade, e achareis pronta solução para todos os problemas que vos afetam.

O orgulho é o fardo pesado, o jugo férreo, que confrange os corações. O amor, pelo contrário, é o peso leve, é o jugo suave que encanta, que inebria o Espírito, despertando nele as mais doces e ternas vibrações.

Livro: Nas Pegadas do Mestre

Autor: Vinicius (pseudônimo) – Pedro de Camargo

8ª Edição em 1992 – Editora Federação Espírita Brasileira (FEB) –

Páginas: 119 até 121 – Brasília-DF – 1933

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