quarta-feira, 24 de julho de 2013

Morte ou Desencarnação?

A morte é um fenômeno natural, uma simples transição de um espaço dimensional para outro, porque, como disse Lavoisier, “nada se perde e tudo se transforma”. Para entender o fenômeno da morte será necessário saber que há um corpo que sobrevive ao fenômeno e tem recebido diferentes nomes: perispírito, psicossoma, corpo espiritual e outros.
O termo perispírito foi criado por Allan Kardec, que afirmou estar a alma envolvida por uma substância vaporosa aos nossos olhos, mas bastante grosseira nas dimensões espirituais. Quando o corpo físico morre, o perispírito se desprende e, com ele, a consciência que animava aquele corpo, por isso, nos meios espíritas, o termo utilizado para falar da morte é desencarnação, isto é, com a morte do corpo, o espírito sai da carne, mas não deixa de viver.
O corpo físico é o mais transitório, impermanente e ilusório elemento de todas as partes que compõem o ser, pois, a cada segundo, está mudando. O interessante em todas essas mudanças é que a identidade física não se modifica. Esse é o grande desafio que a ciência tenta compreender com profundidade.
Por ocasião da morte, o perispírito se desprende mais ou menos lentamente do corpo, e o espírito não encontra explicação para a situação em que se acha. Crê não estar morto, porque se sente vivo; vê a um lado o corpo, sabe que lhe pertence, mas não compreende que esteja separado dele, até porque o perispírito reproduz a aparência do corpo físico que morreu. Essa situação pode ter duração breve ou prolongada. Assim, quando o ser é libertado do corpo denso, tudo, a princípio, é confuso. Há necessidade de algum tempo para se localizar. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria que acaba de abandonar e que se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos.
Kardec explica que a perturbação que se segue à desencarnação nada tem de penosa para o homem de bem, que se conserva calmo, como alguém que acompanha as fases de um tranqüilo despertar. Para aquele cuja consciência ainda não está pura, contudo, a perturbação é cheia de ansiedade e de angústias que aumentam, à proporção que se compenetra da situação. Desencarnar é, pois, retirar-se do mundo conhecido da matéria e projetar-se num outro cujas leis não conhecemos bem, mesmo com as informações detalhadas que o Espiritismo nos tem oferecido.
Precisamos, pois, preparar-nos para viver esse momento, que chegará inexoravelmente. O estudo mais profundo do Espiritismo e um trabalho consistente de meditação podem levar-nos a compreender o que significa estar fora do espaço/tempo que caracteriza o mundo material, preparando-nos para a desencarnação.
Milhares de teorias têm induzido o homem a pensar na morte como uma separação definitiva da vida, mas, do que podemos deduzir dos estudos espíritas, todos nós somos vivos/mortos ou mortos/vivos, e é o pensamento que constrói a realidade de cada um. Se o amor é a força que move o Universo e nos faz filhos de Deus, que é amor em toda a parte, atendamos ao preceito evangélico de amar a Deus e ao próximo, para garantir que, ao nos desvestirmos da carne, estaremos revestidos da condição primordial garantidora da verdadeira paz.
Autor (a): Dalva Silva e Souza
Revista Cultura Espírita – ICEB (Instituto de Cultura Espírita do Brasil) – Ano IV – Edição nº 44 – Página: 11 - Rio de Janeiro – Novembro/2012.
Livros Pesquisados:
KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos – Tradução de Guillon Ribeiro – Edição nº 47 – FEB (Federação Espírita Brasileira) – Questão nº 93 – Rio de Janeiro – 1979.
KARDEC, Allan – O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo – Tradução de Guillon Ribeiro – Edição nº 25 – FEB (Federação Espírita Brasileira) – Capítulo nº I – Rio de Janeiro – 1978.
BRANDÃO, Leila; SOUZA, Dalva & GUIDA, Cylene – A Morte não é bem Assim – Editora CELD – Rio de Janeiro – 2009.

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