terça-feira, 8 de outubro de 2013

Mestre e Salvador

Jesus apresentou-se perante a Humanidade como Mestre e Salvador.

Eu sou o vosso mestre, dizia ele aos que o rodeavam para escutar sua palavra inspirada e convincente.
Nós somos, pois, seus discípulos: ele é nosso Mestre.

Mestre é aquele que educa. Educar é apelar para os poderes do espírito. Mediante esses poderes é que o discípulo analisa, perquire, discerne, assimila e aprende.

O Mestre desperta as faculdades que jazem dormentes e ignoradas no âmago do “eu” ainda inculto.

A missão do Mestre não consiste em introduzir conhecimentos na mente do discípulo: se este não se dispuser a conquistá-los, jamais os possuirá.

Há deveres para o Mestre e há deveres para o discípulo. Cada um há de desempenhar a parte que lhe toca.
Entre aquele que ensina e aquele que aprende, é preciso que exista uma relação, uma correspondência de esforços, sem o que, não haverá ensinamento nem aprendizagem.

Quanto mais íntima a comunhão entre o Mestre e o discípulo, melhor êxito advirá para quem ensina e para quem aprende.

O Mestre não fornece instrução: mostra como é ela obtida. Ao discípulo cumpre empregar o processo mediante o qual adquirirá instrução. O Mestre dirige, orienta as forças do discípulo, colocando-o em condições de agir por si mesmo na conquista do saber.

Para que a comunhão entre o Mestre e o discípulo seja um fato, é absolutamente indispensável o concurso, a cooperação de ambos. O termo comunhão significa mesmo correspondência íntima entre dois ou mais indivíduos identificados num determinado propósito.

Se o Mestre irradia para o discípulo e o discípulo não irradia para o mestre, deixa de haver correspondência entre eles, e o discípulo nenhum aproveitamento tirará das lições recebidas.

Jesus veio trazer-nos a verdade. Fez tudo quanto lhe competia fazer para o cabal desempenho dessa missão que o Pai lhe confiara. Não poupou esforços: foi até ao sacrifício.

Resta, portanto, que o homem, o discípulo, faça a sua parte para entrar na posse da verdade, essa luz que ilumina a mente, consolida o caráter e aperfeiçoa os sentimentos.

Aqueles que já satisfizeram tal condição, vêm bebendo da água viva, vêm apanhando, dia por dia, partículas de verdade, centelhas de luz.

Os que deixaram de preencher a condição permanecem nas trevas, na ignorância; e nas trevas e na ignorância permanecerão até que batam, peçam e procurem.

Jesus veio trazer-nos a redenção. É por isso nosso salvador. Mas só redime aqueles que amam a liberdade e se esforçam por alcançá-la.

Os que se comprazem na servidão das paixões e dos vícios não têm em Jesus um salvador. Continuarão vis escravos até que compreendam a situação ignominiosa em que se encontram, e almejem conquistar a liberdade.

Jesus não é mestre de ociosos. Jesus não é salvador de impenitentes. Para ociosos e impenitentes – o aguilhão da dor.

O sangue do Justo foi derramado no cumprimento de um dever que lhe fora imposto: não lava culpas nem apaga os pecados dos comodistas, dos preguiçosos, dos devotos de Epicuro e de Mamon.

A redenção, como a educação, é obra em que o interessado tem de agir, tem de lutar desempenhando a sua parte própria; sem o que, não haverá para ele mestre nem salvador.

A redenção, como a educação, é obra que se realiza gradativamente no transcurso eterno da vida; não é obra miraculosa que se consuma num momento dado.

E por ser assim é que Jesus dizia: “Aquele que me serve siga-me, e onde eu estou estará aquele que me serve.”

Seguir: eis a ordem. Sempre avante: eis o lema do estandarte desfraldado pelo Mestre e Salvador do mundo.

Livro: Nas Pegadas do Mestre
Autor: Vinicius (pseudônimo) – Pedro de Camargo
8ª Edição em 1992 – Editora Federação Espírita Brasileira (FEB) –
Páginas: 166 até 168 – Brasília-DF – 1933

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