sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A Religião de Jesus

O Batista estava no cárcere à mercê de Herodes, o tetrarca. Rumores confusos pairavam em torno do prometido Messias que já se achava na Terra. Alguns diziam: É ele em verdade o Cristo das profecias; outros, porém, afirmavam o contrário.

O Profeta dos desertos que o havia batizado nas águas do Jordão, e, nesse momento, ouvia a voz do Céu testificar sua origem divina, sabia perfeitamente que Jesus era o Cristo.

Prevendo, como profeta, o fim que lhe estava reservado, tratou de encaminhar seus discípulos para Aquele de quem não se julgava digno de atar as correias das sandálias. Enviou, então, a Jesus dois deles que costumavam visitá-lo na prisão, dizendo-lhes: “Ide a Jesus, e perguntai-lhe : És tu mesmo o Cristo esperado?”

Partiram os emissários em demanda do Filho de Deus; e, encontrando-o, disseram-lhe tal como lhes fora recomendado.

O Mestre, antes de lhes responder, curou inúmeros enfermos de várias moléstias, aliviou muitos flagelados por maus espíritos, e, em seguida, disse-lhes: “Contai a João tudo que vistes e ouvistes: os cegos vêem, os surdos ouvem, os paralíticos locomovem-se livremente, os leprosos ficam limpos, os mortos ressuscitam, e aos pobres anuncia-se-lhes o Evangelho; e bem-aventurado é aquele que em mim não achar motivo de tropeço.”

E assim se deu a conhecer o enviado do Céu. Se tal característico distingue o Cristo, tal característico deve distinguir a sua Igreja. O Cristianismo, portanto, é a religião do amor objetivada na solidariedade humana.

É notório haver Jesus encartado no número das maravilhas da sua religião o anunciar-se o Evangelho aos pobres. Por tal devemos compreender, não as prédicas, as teorias anunciadas com mais ou menos habilidade dos púlpitos e das tribunas, mas o conceder-se aos humildes e bem-estar, as regalias e o conforto a que eles têm direito, abolindo-se os privilégios odiosos que vêm, através de todos os tempos, cavando abismos de separação entre as classes sociais.

Anunciar, pois, o Evangelho aos pobres significa assisti-los em suas necessidades morais e materiais, atendê-los em suas justas aspirações, contribuindo para melhorar a situação angustiosa em que eles, por vezes, se encontram: significa amá-los como a nós próprios, fazendo por eles o que queremos para nós mesmos, testemunhando assim a nossa solidariedade em atos de justiça e de misericórdia, conforme o exemplo de Jesus Cristo.

A religião do Filho de Deus é aquela que se levanta sobre as bases desta tríade bendita: Amor, Igualdade, Liberdade. Para ela o mundo caminha, embora assim não pareça: e bem-aventurados aqueles que nessa fé não encontram motivo de escândalo.

Livro: Nas Pegadas do Mestre

Autor: Vinicius (pseudônimo) – Pedro de Camargo

8ª Edição em 1992 – Editora Federação Espírita Brasileira (FEB) –

Páginas: 223 até 224 – Brasília-DF – 1933

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