sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A Soberania do Amor

Buscais a razão, a lógica e o raciocínio do amor? Perdeis o vosso tempo. O verdadeiro amor não tem lógica, nem razão, nem raciocínio consoante o critério humano. Sua ação se opera à revelia da nossa razão.

O amor é soberano. Sempre que esse sentimento se manifesta sob o império da razão, acha-se constrangido e desnaturado. O amor puro não se reduz às restrições da lógica, nem tão pouco às do raciocínio: é incoercível, sobrepuja a todos os demais atributos do espírito.

O amor humano não é ainda a expressão do verdadeiro amor, justamente porque age através da razão, porque obedece a motivos determinados. O amor divino paira acima da razão, desconhece motivos, desconhece raciocínios de qualquer espécie.

Jesus ensinou e exemplificou o amor divino. Eis o padrão de amor que ele nos apresenta: “Tendes ouvido o que dizem os homens: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo? Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos maldizem e perseguem para que vos torneis filhos de vosso Pai que está nos Céus, porque ele faz nascer o seu sol sobre bons e maus, e vir chuvas sobre justos e iníquos. Pois se saudardes e amardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem os gentios também o mesmo? Sede, logo, vós perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.”

Qual a razão humana que nos aconselha a amar o inimigo, orar pelos que nos maldizem e perseguem? Onde a lógica deste preceito: Àqueles que vos bater na face direita, oferecei-lhe também a esquerda? Onde o raciocínio desta ordenança: A quem tirar a tua capa dá-lhe também a túnica?

Tais mandamentos não se curvam à nossa lógica, nem à nossa razão, porque são mandamentos do amor, e o amor sobrepuja a todo o entendimento.

A fé do Crucificado importa mais numa questão de sentimento que de entendimento.

O Cristianismo é a revelação do amor. Jesus, o Verbo Encarnado, revelando-nos a Divindade, nos faz sentir que, como disse João, Deus é amor.

Livro: Nas Pegadas do Mestre

Autor: Vinicius (pseudônimo) – Pedro de Camargo

8ª Edição em 1992 – Editora Federação Espírita Brasileira (FEB) –

Páginas: 199 até 200 – Brasília-DF – 1933

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