sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Não Temais

A Igreja espera que compreendamos as horríveis cenas da paixão e que então, rompendo os laços do pecado, nos consagremos a expiá-los na santa quaresma.

Ela sabe que duros são os corações e que só o medo os pode transformar. Revivendo a paixão do Salvador, compreendemos que terrível coisa é cair entre as mãos do Deus vivo.” (De O Jornal, do Rio) – (Secção religiosa, do Catolicismo Romano).

A frase que nos serve de epígrafe é constantemente repetida nas Escrituras, quer no Velho, quer no Novo Testamento.

Quando os profetas (médiuns) viam algum espírito ou se sentiam impressionados pela sua influência, mostravam-se, quase sempre, profundamente emocionados. As primeiras palavras que do Além lhe dirigiam, invariavelmente, eram estas: “Não Temais.”

Jesus, o incomparável Mestre, foi pródigo dessa expressão. Inúmeras vezes seus discípulos receberam dele aquela alentadora admoestação. Seu alvo, como exímio educador, era levantar o moral dos seus discípulos, preparando-os para as lutas da vida, quer se tratasse das lutas íntimas, quer se tratasse das lutas travadas com elementos externos.

No mundo tereis tribulações”, predizia ele; “mas, tendes bom ânimo, eu venci o mundo”, acrescentava com ênfase.

Quando, na barca, os discípulos, apavorados com o temporal que ameaçava aquela frágil embarcação, foram ao amor de Jesus Cristo. Nada justifica a adoração do madeiro, a veneração à pedra de tropeço. Não é na morte de Jesus que está nossa redenção: é na sua vida, é na sua palavra, intérprete da eterna verdade, é nos seus ensinos, é nos seus exemplos. A morte de Jesus obedeceu à vontade humana, enquanto que a obra da salvação do mundo obedece aos desígnios de Deus. Como se vê, são coisas bem distintas. A missão de Jesus está em plena atividade. A tragédia do Calvário não é, de modo algum, o seu epílogo. O Missionário da Galileia continua em ação. Paulo, o maior apóstolo do Cristianismo, é filho de Jesus redivivo. Foi sob o influxo do Cristo ressuscitado que se fundou a igreja cristã, no dia de Pentecostes; e é ele, o Redivivo, e não o Crucificado, quem tem, através dos séculos, promovido a redenção dos pecadores pela influência viva que sobre eles exerce, consoante a promessa dos Evangelhos.

O Cristo de Deus não morreu. Sublime, forte e poderoso, tem vivido, vive e viverá no coração dos que têm fome e sede de justiça.

A ele e ao ideal que ele encarna – honra e glória!

Livro: Nas Pegadas do Mestre

Autor: Vinicius (pseudônimo) – Pedro de Camargo

8ª Edição em 1992 – Editora Federação Espírita Brasileira (FEB) –

Páginas: 202 até 203 – Brasília-DF – 1933

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