terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Evolução


A vida é sempre vida seja qual for a forma através da qual se oculte. Já vivi como pedra, já vivi como planta, já vivi como homem, amanhã viverei como espírito, e, num futuro longínquo cuja época não me é dado precisar, viverei como vivem os anjos, os deuses.

Vim do pequeno, caminho para o grande. Meu passado é obscuro, meu futuro é brilhante. Sou imortal, porque um chispa do fogo eterno palpita em mim. A primeira e mais substancial das provas de minha imortalidade está no fato de viver neste momento e saber que vivo. Se vivo agora é porque vivi outrora e viverei sempre. Se noutras épocas tive outro nome, pertenci a outras raças, habitei outros países, falei outros idiomas, que importa? Nesse tempo vivi tão certamente como vivo hoje. O meu ser pensou, sofreu, gozou, sentiu, amou, tal como faz atualmente. Perdi minha individualidade? Não, porque minha individualidade é o meu ser, o meu “eu”, sede da minha inteligência, da minha razão, da minha consciência e dos meus sentimentos. Perdi, apenas, a personalidade, a forma, a aparência com que então me vesti.

Nesta mesma existência, a minha aparência já se transformou, já se modificou consideravelmente. Casos há em que os pais desconhecem os filhos quando ausentes por largo tempo, tais as mudanças operadas em seu físico. Basta que alguém permaneça vinte ou mesmo dez anos separado de nós para que notemos profundas alterações em seu exterior.

A vida cada vez se torna mais acentuada, mais positiva, mais viva mesmo, se tal expressão é permitida. A monera, considerada como a forma mais rudimentar da vida, já traz em si o cunho indelével da imortalidade: ela vive porque viveu, e viverá porque vive. Nada poderá destruir-lhe a essência.

A vida é a manifestação da vontade suprema de Deus. Ela é instável enquanto se apresenta sob aspectos materiais; é eterna quando, ressurgindo da carne, se perpetua no espírito.

Negar a imortalidade é negar a própria atualidade. Se eu vivo, como não viverei? Mas a morte? A morte: que é a morte? Se a morte tem poder para me destruir, para me aniquilar, como se explica eu ter morrido muitas vezes e não ter, contudo, sido aniquilado? Dirão os sábios da Terra que deliro? Pois bem, expliquem-me, então, como é que trago e conservo comigo os traços veementes do meu passado? Não são esses mesmos sábios que descobriram e verificaram vestígios da vida animal na vida humana? Que é a Evolução? Em que consiste, como se demonstra, senão pela fisiologia aliada à anatomia comparada?

Se é certo, pois, que a vida, passando pelas várias categorias de que se compõe a larga escala animal – do infusório ao homem -, não foi destruída apesar das incontáveis metamorfoses que suportou, metamorfoses a que denominamos morte, a imortalidade é um dogma incontestável, e a melhor prova que temos a aduzir em seu abono é o fato insofismável de vivermos no momento atual. Tudo o que vive, viveu e viverá. Morrer é passar de um estado a outro, é despir uma forma para revestir outra, subindo sempre de uma escola inferior para outra, imediatamente superior.

Sede perfeitos como vosso Pai é perfeito.” “Nascer, viver, morrer, renascer ainda, progredindo sempre, tal é a lei”.

Livro: Nas Pegadas do Mestre
Autor: Vinicius (pseudônimo) – Pedro de Camargo
8ª Edição em 1992 – Editora Federação Espírita Brasileira (FEB) –
Páginas: 285 até 286 – Brasília-DF – 1933

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