terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Jesus e a História


A História nada diz a respeito de Jesus. Nenhuma referência, nenhuma frase, nenhuma palavra sobre o maior vulto, e a mais pulcra entidade que passou pela Terra.

Mas, afinal, que importa esse desdém da História, se é precisamente através dessa falha que se vê a figura majestosa do soberano Mestre ostentar-se em pleno fulgor? Que outra individualidade cantada nas páginas da História logrou jamais impor-se como Jesus Cristo? Quem, como ele, conseguiu assinalar sua travessia por este orbe, com sulcos tão indeléveis?

Onde aquele cuja memória se haja perpetuado como a sua, acentuando-se cada vez mais vivamente nos corações à medida que o tempo decorre? Os séculos que se sucedem sobre as gerações que passam, longe de empanarem o brilho do seu nome, fazem-no, antes, refulgir cada vez com mais desusado esplendor. Só ele é o astro cujo brilho se vem intensificando progressivamente, ao invés de esmaecer como sucede àqueles que a História insculpiu no firmamento de suas páginas.

Jesus, por isso, prescinde, sem prejuízo, de tudo que a seu respeito pudesse, porventura, dizer a História. Ele encerra em si mesmo a verdadeira história da Humanidade. Jesus é a história viva do homem.

A História são relatos do passado da Humanidade. Jesus é a história do porvir humano. A História diz o que fomos, Jesus diz o que seremos. A História reflete as máculas e fealdades de nossa natureza inferior; Jesus assinala as belezas de nossa natureza superior. A História falseia em muitos pontos, arrastada pela influência de paixões rasteiras, Jesus é sempre a expressão da verdade para os que têm olhos de ver. A História é letra, Jesus é vida. A História é e será uma obra inacabada, Jesus é o modelo vivo, é o protótipo da perfeição para ser imitado. A História é a carne, Jesus é o espírito. A História é o repositório das contradições, dos atos de egoísmo, das lutas fratricidas, Jesus é o conjunto das harmonias, é o altruísmo, é o fiel reflexo do Supremo Amor.

De tal sorte, porque havia Jesus de figurar na História, se ele mesmo é a verdadeira história do homem? História viva, completa, sem falhas, sem lacunas, sem erros; história que se não limita ao registro de um pretérito mesquinho, mas se desdobra em páginas brilhantes, que nos acenam com um porvir glorioso.

Quando o homem compreender o Filho de Deus, cairá de seus olhos o véu que lhe oculta o futuro, porque o Filho de Deus é a visão clara desse futuro. Então, o homem saberá que Jesus, esse Jesus que está excluído da História, é, em verdade, a História de sua História.

Livro: Nas Pegadas do Mestre
Autor: Vinicius (pseudônimo) – Pedro de Camargo
8ª Edição em 1992 – Editora Federação Espírita Brasileira (FEB) –
Páginas: 239 até 240 – Brasília-DF – 1933

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