sexta-feira, 4 de abril de 2014

No Princípio era o Verbo


Mateus, reportando-se à individualidade do divino Enviado, tratou de sua genealogia terrena, partindo de Abraão, em ordem descendente, até José, contando 42 gerações.
Lucas refere-se às particularidades que rodearam o seu nascimento em Belém de Judá, num estábulo abandonado, tendo por berço tosca e rude manjedoura.
Marcos apresenta o Mestre já em contato com o Batista, iniciando sua missão exemplificadora.
João deixa de parte tudo quanto se liga à forma material com que o Messias se apresenta no cenário humano, para considerar o seu Espírito, isto é, o “ser” propriamente dito, sede da inteligência, do sentimento e de todas as faculdades psíquicas, dizendo: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”

Verbo é a palavra por excelência, visto que enuncia a ação. Jesus é o Verbo paradigma por onde todos os verbos serão conjugados. É o modelo, é o exemplo, é o caminho cujo percurso encerra o destino de toda a infinita criação. “Ninguém vai ao Pai senão por mim.” “Aos que crerem em seu nome, deu Ele o direito de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne ou do homem, mas sim de Deus.”
Como Ele, todos nós no princípio éramos o Verbo. A fonte única da vida é Deus. “N’Ele vivemos, nos movemos e existimos, porque d’Ele somos linguagem”. A vida manifesta-se através da forma que encerra a luz. “Somos de ontem e ignoramos.” “Sei donde vim e para onde vou; vós, porém, não sabeis.” Antes que tivéssemos consciência do que somos, já éramos. A alma é imortal, porque eterna. O “cogito, ergo sum” não constitui o início, mas, apenas, um dos marcos da evolução.
Assim como a criança é objeto de cuidados e desvelos antes de possuir noção de sua existência, antes mesmo de nascer, assim os seres já estão contidos no pensamento de Deus desde toda a eternidade. “Vede as aves do céu que não semeiam nem ceifam; que não tem despensa nem celeiros; no entanto, o vosso Pai celestial as alimenta. Vede os lírios do campo, que não fiam nem tecem; nada obstante, vestem-se com mais pompa que os áulicos de Salomão.”
Não haveria evolução, se não houvesse previamente involução. O que sobe da Terra é o que desceu do Céu. O Criador e a criação coexistem, são eternos. “O Pai sempre agiu, nunca cessa de agir.” Tudo é solidário no Universo; sóis, planetas e seres. O geocentrismo e o antropocentrismo são nuvens que obscurecem os horizontes da verdade sobre a origem do homem e dos mundos.
A vida, na Terra, começou em certa substância gelatinosa que se encontra no seio do oceano. “Produzam as águas reptis de alma vivente e aves que voem sobre a Terra. Criados, pois, foram os grandes peixes e todos os animais que tem vida e movimento, os quais foram produzidos pelas águas, cada um segundo suas espécies, e todas as aves segundo o seu gênero.”
Donde procederia essa alma vivente que, saindo das profundezas do mar, povoou o globo terráqueo de todos os seres que o habitam, da monera ao homem? Geração espontânea? Essa hipótese não figura mais no cartaz por ser destituída de critério e bom senso. João Evangelista responde ao quesito em apreço, numa linguagem transcendente, mas simples, como simples é toda verdade: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”
Até hoje, vinte séculos decorridos, a Ciência não disse mais nem melhor.
Autor (a): Pedro de Camargo – Pseudônimo de Vinícius
Livro: Na Seara do Mestre – Editora: FEB (Federação Espírita Brasileira) – Páginas: 177 até 179 - 5ª Edição de 1985 – Rio de Janeiro/1951.












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